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Após mais de uma década de impasse jurídico e administrativo foi inaugurado na passada quarta-feira o crematório municipal de Faro, o segundo no Algarve.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na cerimónia de inauguração, o presidente da Câmara de Faro lembrou que, por isso, “Albufeira conseguiu fazer um crematório primeiro”, inaugurado pelo município em março deste ano, acrescentando que “este era um equipamento pelo qual os farenses e toda a região ambicionavam há mais de uma década”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Rogério Bacalhau considerou, por isso, que o equipamento, construído em 11 meses no Cemitério Novo, servirá não apenas a população de Faro, mas a região do Algarve e até do Baixo Alentejo “que, se calhar, consegue vir a Faro mais rapidamente” do que a outro ponto onde exista um crematório.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O crematório municipal ficará concessionado, durante os próximos 30 anos, à Servilusa, empresa que venceu o concurso para a concessão e que investiu 1,13 milhões de euros na obra. A Câmara de Faro vai receber 1.700 euros por mês pela ocupação do terreno e 1% do valor de cada cremação. A autarquia acrescenta que ficou ainda garantido “um desconto significativo para os munícipes do concelho”, uma vez que “os residentes em Faro pagarão 258 euros por cremação, enquanto os não residentes pagarão 309 euros” e “as ossadas terão um custo de 180 euros”.

Rogério Bacalhau reconheceu ainda que o equipamento vem ajudar a solucionar um problema na capital algarvia. “O cemitério antigo está cheio. Este também está cheio. Temos 400 a 500 funerais por ano. Com a questão do crematório esses problemas minimizam-se muito. Penso que a partir de agora temos o problema completamente controlado e não vai haver esgotamento de espaço”, afirmou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O diretor geral da Servilusa garantiu que o equipamento “é o único de Portalegre para baixo que está aberto 365 dias por ano” e adiantou que a empresa prevê fazer 600 cremações no primeiro ano, podendo depois chegar “até às 1.200 ou mais”, sendo realizadas até cinco por dia, segundo um processo que “demora entre hora e meia a duas horas”, regulamentado pelas normas legais exigidas. Paulo Carreira explicou que as urnas para a cremação são “ecológicas e sustentáveis” e, por isso, “livres de poliésteres, de vernizes sintéticos e de mentais”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O crematório está instalado num edifício com 390 metros quadrados e equipado com dois fornos a gás propano, um para as cremações funerárias e um forno pirolítico para queimar resíduos associados aos enterramentos, como flores e restos de urnas. Tem uma entrada independente e uma zona técnica, permitindo que o acesso das funerárias e das urnas seja assegurado por uma área distinta daquela que está reservada ao público e famílias. O equipamento dispõe ainda de um apoio ao serviço de cremação que inclui receção, sala de estar, cafetaria, capela ecuménica, sala, sala de última despedida, tanatopraxia e jardim da memória/cendrário.

Paulo Carreira sublinhou que o equipamento é “todo focado no apoio à família e na perpetuação da memória” e realçou a sala de última despedida, anexa à capela, como o “detalhe que faz toda a diferença para qualquer outro crematório do país”, uma vez que, “à semelhança de uma sepultura ou de um gavetão, a família pode visualizar a entrada da urna no crematório”, através de uma janela (cuja cortina se fecha antes do féretro entrar no forno) ou, se preferir, através de um monitor instalada na capela. Aquele responsável considerou que esta possibilidade, para além de permitir à família “momentos de despedida com toda a privacidade”, “dá maior transparência e credibilidade ao processo da cremação”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O diretor geral da Servilusa destacou igualmente o jardim da memória/cendrário como espaço comunitário para deposição das cinzas e “de reflexão”. “Muitas vezes as pessoas procuram uma solução que não obrigue gerações futuras à ida ao cemitério para renovar os ossários ou columbários”, afirmou Paulo Carreira, justificando essa opção com uma, cada vez maior, “dispersão das famílias pelo espaço europeu” que leva a que seja “mais difícil” a manutenção daqueles espaços.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquele responsável adiantou que a taxa de escolha pela cremação é de 20% em Portugal (50% em Lisboa) e defendeu ainda que o crematório servirá também a comunidade estrangeira “que procura muito a cremação”. “Estamos perto do aeroporto para se executar de imediato uma trasladação das cinzas para o seu destino final”, sustentou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na cerimónia, que contou com uma bênção do edifício realizada pelos párocos da cidade, o cónego César Chantre e o padre Rui Barros, o primeiro explicou que “a cremação nunca foi dificuldade para a Igreja Católica”. “Da cinza viemos e para a cinza voltaremos, quanto à questão orgânica, e de Deus viemos e para Deus voltaremos, quanto à questão espiritual. Portanto, a questão não se levanta”, esclareceu, acrescentando que “o que se levanta, isso sim, é a questão da memória”. “Um povo sem memória é um povo que perde o norte e a cremação, se não for feita como deve ser, pode ajudar à perda de memória”, advertiu.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“É por isso que a cinza, segundo as orientações da Igreja, deve ser colocada em local em que a memória não se perca. Portanto, contraria as orientações da Igreja cinzas que são colocadas no mar, que são atiradas para um jardim”, complementou o cónego César Chantre, acrescentando que a cremação deve salvaguardar a “memória das gerações futuras” permitindo que estas saibam qual o local onde estão os restos mortais dos seus antepassados, “que deve ser sagrado, respeitado e respeitável”.

Dos 32 crematórios no país (28 no continente), 8 são geridos pela Servilusa.

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