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Apicultores do Algarve estão a sentir dificuldades para escoar mel

A produção de mel no Algarve está a deparar-se com “falta de procura” e dificuldade de escoamento, disse hoje o presidente de uma organização de produtores da região, prevendo, no entanto, um ano globalmente “bom” no setor.

Manuel Francisco, presidente da Associação de Apicultores do Sotavento (Melgarbe), disse à Lusa que atualmente “os apicultores não estão a conseguir vender o mel” e o setor vive na região um “momento de apreensão e expectativa” em face da “paragem que o mercado está a ter por falta de procura”.

“O ano vai agora começar, espera-se que seja um bom ano e haja mel de boa qualidade. Mas estamos atualmente com dificuldade para vender o mel, porque quem compra neste momento não o está a fazer”, afirmou o dirigente associativo.

A mesma fonte justificou a dificuldade em escoar o produto com as regras europeias que “procuram harmonizar preços” e os “grandes intermediários e compradores que deixaram de comprar para pressionar os produtores a baixarem os preços”.

“Estamos aqui num braço-de-ferro, uns não compram para forçar a que os preços desçam e outros a ver se os preços não descem”, lamentou Manuel Francisco, frisando que “o mel algarvio é um mel de qualidade” e, “no último ano, foi vendido a cerca de 4,5 euros o quilograma”.

Questionado sobre qual é o valor que está a ser pago atualmente e que os produtores não aceitam, a mesma fonte insistiu que “o problema é que não se está mesmo a comprar mel neste momento porque pararam a compra para atingirem os seus objetivos, que é o de baixar os preços”, considerou.

O presidente da Melgarbe observou que, “nos últimos 10 anos, a apicultura teve um grande desenvolvimento” no Algarve, por isso espera que a situação possa alterar-se e retomar, porque a falta de escoamento “está a complicar muito as contas dos apicultores”, admitiu.

“Os produtores algarvios estão quase todos dedicados à produção de mel, embora também haja outros produtos com mais valor na colmeia. Mas como a venda de mel está parada, as pessoas estão a ficar aflitas, porque têm o mel em casa, não há grandes perspetivas de saída do produto e está-se a acumular o ‘stock’”, disse Manuel Francisco.

O presidente da Melgarbe foi um dos oradores no XI Encontro Regional de Apicultura da Região do Algarve, que hoje se realizou na sede da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve.

O encontro é um dos principais momentos de reunião do setor da apicultura no Algarve e contou com iniciativas ligadas a questões como o licenciamento de produtores, a produção biológica ou características físico-químicas do mel produzido na região, entre outras.

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