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“Temos que continuar a apostar na prevenção, não só nos países de destino mas também nos de origem”. A opinião é de Rita Bessa, gestora do projecto SUL, referindo-se às vítimas de tráfico e exemplificando, tal como a técnica Júlia Cardoso casos concretos que têm surgido na instituição.

Para aquelas responsáveis, não se pode esperar que as pessoas vítimas de tráfico apresentem confiança imediata nos técnicos ou nas polícias, ou que estejam dispostas a falar contra os seus traficantes até que estejam seguras, assim como as suas famílias. “São pessoas extremamente fragilizadas, não têm suporte familiar, amigos”, disse Rita Bessa, que referiu alguns mitos relacionados com o tráfico de seres humanos: “que só acontece a pessoas com pouco dinheiro, a ingénuos ou que os imigrantes vêm roubar os nossos empregos”. A verdade dos factos é que “não há perfil de vítima, acontece em todas as idades”, garantem.

Durante a acção de sensibilização, foram também revelados alguns indicadores que podem levar a perceber que estamos perante uma vítima de tráfico: quando a pessoa não tem controlo dos seus documentos, se foi recrutada para fazer um tipo de trabalho e é forçada a fazer outro, se lhe está a ser retirada uma parte do ordenado, se é forçada a práticas sexuais contra a sua vontade ou não tem liberdade de movimentos. O agressor joga com o facto de a pessoa estar irregular no País para mais facilmente conseguir o que quer.

Muitas vezes, as vítimas não conhecem os seus direitos, daí a importância de divulgar que podem ter acompanhamento psicológico, social, médico e acolhimento. Estas pessoas têm o direito a estar em segurança e existe uma casa para vítimas de tráfico em Portugal, onde trabalham técnicos especializados nesta área. Existem respostas para estas situações, foi a mensagem que as técnicas do projecto SUL quiseram passar na tarde que partilharam com o público na Biblioteca Municipal de Olhão.

SUL é uma unidade de apoio à vítima imigrante da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que tem como missão proteger e apoiar imigrantes vítimas de crime e vítimas de violência de género. Com sede em Tavira, pode ser contactada pelo telefone 281 325 763 ou pelo e-mail sul@apav.pt.

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