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Foto © Luís Forra/Lusa

A operação que permitiu apreender 1.600 quilos de haxixe numa traineira, no Algarve, deveu-se à “perspicácia” do operador da Força Aérea que sobrevoava o local durante uma vigilância de rotina, disse o porta voz daquele organismo militar.

A operação, que decorreu durante a madrugada de hoje, teve início depois de um operador de uma aeronave da Força Aérea, em missão de vigilância, ter desconfiado do aspeto e das movimentações de uma traineira, detetada ao final da tarde a 30 milhas a sul de Faro, sem aparelhos de pesca visíveis.

“Foi um feliz acaso, o nosso operador teve, como se costuma dizer, um ‘feeling'”, disse aos jornalistas Bernardo da Costa, considerando que foi a “perspicácia” do operador que permitiu que a operação, que viria depois a ser coordenada pela diretoria do Sul da Polícia Judiciária (PJ), tivesse início.

Depois da aproximação ao alvo, a Força Aérea fez cerca de cinco horas de voo para acompanhar o trajeto da embarcação, até às 22:30, sem que os dois homens que seguiam a bordo se apercebessem de que estavam a ser seguidos, acrescentou.

Em conferência de imprensa nas instalações da PJ de Faro, o porta voz da Força Aérea explicou que a vigilância foi feita através de sensores que permitem seguir os alvos, sem que os vigilantes sejam vistos, a grandes distâncias e altitude.

Além da PJ e da Força Aérea, a operação envolveu também a Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR, que seguiu a embarcação suspeita por mar, e a Polícia Marítima, que fez depois a abordagem com um elemento da PJ.

Segundo o comandante do destacamento de controlo costeiro da GNR de Olhão, Bruno Cordeiro, a embarcação foi acompanhada através de meios de vigilância noturna e, depois, através dos radares fixos que existem ao longo da costa e da captura de imagens através de câmaras.

O comandante da Polícia Marítima do Sul, Nuno Cortes Lopes, referiu que a abordagem foi “muito rápida”, decorrendo “sem grandes dificuldades”, com os tripulantes a serem “completamente surpreendidos” pelas autoridades.

Depois de uma revista à embarcação, que está alegadamente registada em Huelva, no sul de Espanha, a polícia encontrou os 56 fardos de droga nos porões.

O diretor da PJ de Faro, Luís Mota Carmo, referiu que o transporte de droga em traineiras “não é caso único”, acrescentando que o rumo da embarcação indiciava que haveria um descarregamento na zona da Armona, frente a Olhão, o que não se concretizou.

Durante a operação foram detidos dois homens, um cidadão espanhol, com 53 anos, já referenciado pelas autoridades espanholas pelo mesmo tipo de crime, e um cidadão marroquino, de 22 anos.

Os detidos vão agora ser presentes à autoridade judiciária competente para a aplicação de medidas de coação.

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