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Em declarações à Agência Lusa, o capitão Cruz Martins frisou, no entanto, que ainda é cedo para avançar com conclusões sobre as razões que levaram a estas apreensões, uma vez que há vários cenários em análise e a serem investigados.

“Se formos comparar com o período homólogo, não foi apanhada tanta quantidade. Mas isso não tem só a ver com a polícia, mas com muitos outros aspetos que estão a ser investigados”, afirmou.

Cruz Martins exemplificou com a operação realizada na terça-feira em Lagos pela Polícia Marítima e a Polícia Judiciária, que levou à apreensão de uma tonelada de haxixe, explicando que “foi acompanhada pelas autoridades toda a ação para transportar a droga para terra”, na qual a “embarcação foi carregar a droga ao mar” antes de chegar à costa.

Já a apreensão de 330 quilogramas de pólen de haxixe realizada pela Polícia Marítima em Olhão entre domingo e terça-feira, depois de a droga ter começado a dar à costa junto à ilha da Armona, resultou de um possível “fracasso da parte dos traficantes ao fazerem o transporte e a droga perdeu-se”.

Cruz Martins apontou ainda o exemplo das duas toneladas de haxixe apreendidas pelo Subdestacamento de Controlo Costeiro de Aljezur da GNR numa praia de Vila do Bispo na quarta-feira, frisando que a “embarcação que tinha a droga dirigiu-se para a praia em plena luz do dia e não foi uma descarga programada”.

O capitão do porto de Lagos disse que nesta carga havia fardos idênticos aos apreendidos em Lagos e há a hipótese “se ter dirigido para terra porque já não conseguia regressar à origem e não ia ficar no mar indefinidamente”.

A mesma fonte explicou que, “como a não droga não nasce de geração espontânea no mar, existe também a possibilidade de haver uma embarcação a fazer a distribuição” para outras que fazem o transporte para terra ou, com as detenções de quatro pessoas em Lagos, “ter ficado sem o apoio logístico em terra e ter avançado”.

“Mas tudo isto são hipóteses, porque a investigação ainda está em curso”, sublinhou.

A Lusa tentou obter junto da Polícia Judiciárias os dados relativos às quantidades apreendidas em 2011, mas estes só vão ser divulgados num relatório anual que será publicado no final do primeiro trimestre de 2012, disse fonte do gabinete de imprensa.

Os últimos dados disponíveis são os do relatório de 2010 e dão conta de um total de 27,6 toneladas de haxixe apreendidas durante todo o ano no distrito de Faro, o que fez do Algarve a região do país onde mais droga deste tipo foi intercetada pelas autoridades.

Lusa

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