Pub

A iniciativa tem como objetivo dar a conhecer o local, atualmente em escavações, que o arqueólogo da Universidade do Algarve (UAlg) considera ser atualmente “um dos sítios mais importantes do país para retratar exatamente a fase inicial da presença humana na Península Ibérica”.

“Estamos a falar de pré-história e de atividades que ocorreram entre 32 mil anos e seis mil anos atrás”, disse à agência Lusa, acrescentando que o “homo sapiens sapiens” entrou na Península Ibérica há cerca de 40 mil anos, mas só chegou ao sul há cerca de 30 mil.

Uma história e um local que poderiam integrar roteiros arqueológicos dirigidos a públicos diversificados, defendeu.

“Atendendo à riqueza daquilo que se conhece, seria fácil fazer vários roteiros de interesse turístico no Algarve”, referiu Nuno Bicho, recordando que já houve uma tentativa há cerca de uma década, que acabou por nunca vingar.

“Parece-me que haveria público, talvez mais estrangeiro do que português, mas com certeza haveria público para uma coisa desse tipo”, frisou.

Durante o dia aberto promovido em conjunto pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Ualg e a autarquia de Vila do Bispo, os visitantes vão ser convidados a conhecer o quotidiano da comunidade que viveu naquele local durante o período paleolítico superior, os instrumentos que utilizavam e a arte que produziam.

Uma placa de xisto com três gravuras de animais, que os arqueólogos supõem ser representações de auroques, praticamente intacta e cujos cálculos apontam que tenha mais de 20 mil anos, é um dos objetos que os visitantes vão ter oportunidade de conhecer, a par de adornos fabricados com conchas.

Os primeiros trabalhos arqueológicos no local arrancaram há 13 anos e desde então os especialistas já conseguiram perceber que a população que ali viveu se alimentava de marisco, fazia gravuras em pedra e adornos em pequenas conchas.

A comunidade também se dedicava à caça de animais, como o veado, cavalo, auroque (espécie de grande dimensão que antecedeu o boi), cabra montês, entre outros.

Nuno Bicho justifica este dia aberto com a necessidade dar aos portugueses um retorno cultural e científico do investimento público que é feito nestas escavações, através de entidades públicas como é o caso da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

“Aquilo que acontece muitas vezes na arqueologia é que as pessoas não têm noção daquilo que se faz e o interesse que tem no conhecimento diário daquilo que foi o seu passado”, comentou o arqueólogo, que desta forma tenta contrariar essa realidade.

A equipa de arqueólogos que trabalham nesta escavação é composta por 20 especialistas da Universidade do Algarve e vai estar a trabalhar no local durante todo o mês de julho.

Admitindo a possibilidade de visitas em outros dias, Nuno Bicho diz que o programa preparado para este sábado permite uma experiência diferente e mais coordenada.

Lusa

Pub