Breves
Inicio | Sociedade | Artesãs algarvias criam brinquedos tradicionais e bijutaria em escola desativada

Artesãs algarvias criam brinquedos tradicionais e bijutaria em escola desativada

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

Numa escola primária desativada há quase 30 anos pela inexistência de crianças, nas proximidades da aldeia de Alte, três artesãs dedicam-se a criar brinquedos tradicionais em madeira, quebra-cabeças e bijutaria com materiais recolhidos no campo.

No sítio da Torre, outrora muito povoado, justificando a construção de uma escola primária, em 1961, não existem agora crianças, restando 20 habitantes, na sua maioria idosos ou estrangeiros, contou Silvina Martins, antiga dona de casa, de 59 anos, que há 25 trabalha na oficina de brinquedos.

Aviões, camiões, carrinhos e cães, coelhos ou gafanhotos com rodas e fios para puxar, todos em madeira e feitos à mão, são alguns dos artigos que as artesãs comercializam na Fábrica da Torre, onde também existem quebra-cabeças, jogos tradicionais e bijutaria feita com materiais da natureza.

“A bijutaria é feita em todo o tipo de material que apanhamos, desde a alfarroba à amêndoa, o tojo, a oliveira, a amendoeira e também frutos secos que recuperamos para fazer brincos”, explicou Silvina Martins, acrescentando que o material para os brinquedos – em faia, pinho ou mogno -, é comprado em bruto numa carpintaria.

Na oficina, o material para os brinquedos é depois cortado, montado e pintado – processo que pode demorar vários dias -, até à venda, que pode ser feita diretamente na oficina ou em feiras da região em que as artesãs participam, embora admitam que fazem o trabalho mais por gosto do que pela rentabilidade.

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

“Por incrível que pareça, agora [no Natal] é uma altura um pouco parada e como isto fica um pouco fora de mão não vêm tanto. Vendemos um pouco mais do que no mês passado, mas não é por aí”, explicou Silvina Martins, sublinhando que o verão é a melhor altura para o negócio.

Tudo começou em 1989, quando sete donas de casa da aldeia de Alte decidiram entrar num curso de formação profissional que o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Associação In-Loco promoveram, mas da turma inicial restam agora apenas Silvina Martins, Ana Elói e Alierte Graça.

Apesar de ainda usarem alguns moldes de brinquedos concebidos durante o curso, as três mulheres continuam a dar asas à imaginação e a criar ou a modificar as suas peças, tendo participado recentemente no projeto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais, que alia artesãos algarvios a designers.

Nascida e criada na Torre, Alierte Graça mostrou-se satisfeita por trabalhar na escola onde aprendeu a ler e garante que não concebe a ideia de mudar a oficina para um local com maior visibilidade, até porque dá vida ao sítio.

As três artesãs do Sítio da Torre foram convidadas a colocar os seus produtos, para exposição e venda, num espaço da aldeia de Alte que a Junta de Freguesia está a tentar abrir para promover o artesanato local.

Apesar de localizada num local fora dos roteiros turísticos comuns, a Fábrica da Torre recebe turistas de todo o mundo, que são convidados a deixar um testemunho no antigo quadro em ardósia da escola, sem espaço para mais assinaturas.

Verifique também

Sismo de magnitude 3,9 na escala de Richter a sul de Faro

Um sismo de magnitude 3,9 na escala de Richter foi sentido ontem entre Faro e …