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O Projeto de Apoio a Vítimas Indefesas (PRAVI) no Algarve está em risco de colapso a nível regional com uma dívida a centros veterinários superior a quatro mil euros, disse à Lusa a coordenadora da PRAVI, Marta Correia.

Com as dívidas acumuladas, a PRAVI apela à sociedade civil para doar apoios fianceiros.

“Um cêntimo por cada cidadão farense era o suficiente, e até passamos recibos desses donativos, que ao abrigo da lei do mecenato podem ser dedutíveis no IRC ou IRC”, afirmou.

A PRAVI, que salva das ruas dezenas de cães e gatos todos os dias na região algarvia, não consegue obter subsídios e o número crescente de animais abandonados que se regista no verão está a criar problemas financeiros à associação.

“É uma violência psicológica enorme para nós, todos os dias somos confrontados com dezenas de pedidos de ajuda e deparamo-nos com situações extremas que nos fazem sentir impotentes, porque não temos nem meios nem dinheiro para agir”, refere.

Segundo Marta Correia, há “centenas de animais abandonados nas ruas do Algarve” e os poucos canis municipais que existem estão “sobrelotados”, e alguns são “ilegais”.

Desde o início deste ano, a PRAVI esterilizou 308 animais e na próxima semana tem mais operações agendadas.

“Como não possuímos espaço próprio, é-nos impossível ajudar mais e quase todos os animais que esterilizamos voltam depois para a rua”, explica Marta Correia, que espera ter uma sede para o núcleo a médio prazo.

A PRAVI tem também salvo vários animais do cais da cidade de Faro, frequentada por pescadores amadores e praticantes de jogging, onde são abandonados animais e se multiplicam matilhas, denuncia a responsavel pela instituição.

“As pessoas gostam de ir para ali [cais] passear e fazer desporto, mas correm o risco de serem atacadas por animais doentes e famintos. É uma questão de saúde pública”, alerta, referindo que já gastaram cerca de cinco mil euros com os bichos abandonados naquela zona da cidade.

“Por uma esterilização pagamos entre 100 e 250 euros, e isto é absolutamente incomportável para nós que não temos quaisquer subsídios e dependemos apenas da caridade”, salienta.

Na semana passada encontraram no cais de Faro mais uma ninhada com 14 crias recém-nascidas.

“Onde é que eu tenho voluntários para cuidarem de hora a hora de 14 crias? É impossível, morreram todos”, lamenta.

Lusa
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