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“Só vejo uma razão para a Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS) não avançar para a assinatura do protocolo: falta de vontade política”, disse à agência Lusa o presidente da Associação para o Estudo da Diabetes Mellitus e Apoio ao Doente Diabético do Algarve (ADEMADA), Eurico Gomes.

De acordo com o médico, a associação de assistência a diabéticos do Algarve pode prestar o mesmo tipo de cuidados médicos junto dos pacientes com diabetes e com menos custos para o Estado e, por isso, está indignado com a ARS Algarve por não avançar com a assinatura do protocolo com aquela associação, preferindo manter em vigor o contrato com a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), em Lisboa.

Contactada pela Lusa, a ARS admite ter recebido uma proposta para estabelecer um protocolo com a ADEMADA, mas explica que a proposta depende do preenchimento de determinados requisitos.

A certificação higieno-sanitária pela Autoridade de Saúde e a adequação dos recursos humanos à carteira de serviços propostos são dois dos requisitos que a ARS enumera, referindo-se ainda à obrigatoriedade de dar assistência aos doentes noutras especialidades médicas, como a oftalmologia.

“Não existe qualquer comparação possível entre as actividades desenvolvidas pelas referidas associações, uma vez que a APDP, sediada em Lisboa, e fundada em 1926, presta cuidados altamente especializados aos doentes diabéticos, nas áreas da Oftlamologia, Urologia e Angiologia e que não fazem parte da carteira de serviços da ADEMADA”, adianta a ARS.

A ADEMADA critica ainda algumas autarquias algarvias por terem cancelado um protocolo de prestação de serviços que tinham em vigor e que permitiria que 15 doentes fossem seguidos na associação por um valor anual de 1.500 euros.

“É o caso de Vila Real de Santo António (VRSA), por exemplo, que denunciou um protocolo de 1.500 euros anuais, mas por outro lado, tem dinheiro para levar doentes a Cuba”, lamentou Eurico Gomes.

A Lusa contactou a Câmara de VRSA e, segundo a vereadora Sílvia Madeira, com o pelouro da Ação Social, o protocolo com a ADEMADA, celebrado em 2008, foi cancelado no final de 2010, porque o "Hospital Central de Faro tem a consulta para o pé diabético gratuito" e a autarquia optou "pelo serviço do organismo público".

Sobre o envio de pacientes com diabetes para Cuba, Sílvia Madeira confirma que há um protocolo com Cuba que engloba também o tratamento da diabetes, mas frisa que até ao momento "não foi enviado ninguém com essa enfermidade” para aquele país da América central.

O presidente da ADEMADA, antigo dirigente do Serviço de Diabetologia do Hospital Central de Faro, recordou que o Algarve conta com cerca de 40.000 diabéticos e que aquela associação algarvia pode ajudar a retirar doentes do hospital, uma vez que a capacidade de resposta na região é inferior às necessidades.

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