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A funcionar desde 1993, o Instituto Algarve Projeto Reabilitação Social (IAPRS), em Silves, legalizou-se como associação em 2004, tendo colocado em famílias de acolhimento em Portugal cerca de 60 jovens alemães com “desequilíbrios” comportamentais. A maioria já regressou à Alemanha, após cumprir o programa de recuperação e reabilitação.

O diretor financeiro do instituto, Fernando Santos, explicou à Lusa que atualmente “a associação acompanha nove jovens em famílias de acolhimento”, no Algarve e Alentejo.

O projeto, explicou, surgiu da necessidade de encaminhar os jovens, entre os 12 e os 16 anos, que são retirados do meio onde vivem por “consubstanciarem situações de risco, e acompanhá-los na sua reeducação com vista à reinserção na sociedade”.

“São jovens provenientes de famílias desestruturadas, com comportamentos sociais atípicos, e cujo percurso e vivência passada torna impraticável, numa primeira fase, a possibilidade de integração em grupo”, observou Fernando Santos.

Com uma equipa de cinco pessoas – três psicólogos, um diretor financeiro e uma secretária administrativa -, o IAPRS não recebe os jovens nas suas instalações, “apenas escolhe” as famílias de acolhimento.

“O processo seletivo é muito rigoroso, sendo as famílias submetidas a vários questionários, que depois são analisados pelos nossos técnicos”, destacou Fernando Santos. Garante que os jovens “não são enviados para qualquer família”, porque entre os requisitos estão “a língua alemã, um registo criminal limpo e a sua completa integração na sociedade”.

Além disso, assegura, “os cuidadores terão de se submeter obrigatoriamente a uma formação específica", sendo o processo acompanhado em “permanência” pelos técnicos do IAPRS.

“Temos um trabalho sério, honesto e transparente com vários parceiros alemães, entre os quais a Cáritas, e por isso é que não compreendo porque é que as autoridades portuguesas não nos reconhecem como IPSS”, lamentou.

“A nossa atividade foi averiguada pelo Ministério Público que, no despacho, reconheceu o nosso trabalho e questiona o porquê de ainda não termos sido reconhecidos como IPSS [Instituição Privada de Solidariedade Social]”, sublinhou.

Por seu turno, Ralph Dohlen, diretor técnico pedagógico, destaca o “sucesso” do trabalho da instituição, apontando a elevada taxa de jovens recuperados: “Dos cerca de 60 casos que acompanhámos em Portugal, temos uma taxa de cerca de 85 por cento de jovens que regressaram à Alemanha e vivem perfeitamente integrados na sociedade”.

Segundo Ralph Dohlen, “os jovens não voltam para as famílias biológicas, pois continuam a ser um fator de risco, mas fazem a sua vida autónoma”. Por outro lado, destaca, “o contacto entre os jovens e a família mantém-se sempre, mesmo durante o período em que estão em Portugal”.

A polémica em torno do envio destes menores para Portugal surgiu após uma reportagem da televisão pública alemã ZDF, emitida na semana passada, que revelava casos de suicídio entre os jovens e o envolvimento de alguns deles em delitos em Portugal.

Lusa

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