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Fundada há quase trinta anos pela Câmara de Faro, a associação – que integra para além da banda filarmónica uma escola de música -, está há cerca de dez em instalações provisórias e esteve em risco de fechar nos primeiros meses do ano devido a dificuldades financeiras.

Depois de um impasse que durou até ao final de março, a autarquia propôs à associação um novo protocolo de apoio, o que lhe permitiu pagar a renda em atraso desde janeiro, embora parte dos salários dos professores ainda estejam por pagar, disse à Lusa o vice-presidente da associação.

Contudo, o protocolo estabelecido com a nova gestão camarária (PSD) permite à associação manter a porta aberta mas não cobre todas as actividades que a Filarmónica desenvolve, diz Rui Cabral e Silva, sublinhando que a atribuição de uma nova sede seria um "passo decisivo".

"Com uma sede com condições para ensaiar a banda e dar aulas conseguiríamos criar uma certa autossuficiência", afirma o também aluno de saxofone da escola da Filarmónica, sugerindo que o ideal para instalar uma nova sede seria aproveitar espaços vazios como a antiga Segurança Social de Faro.

A Filarmónica chegou a ter um salão onde apresentava mini concertos e se faziam "workshops" mas a irregularidade de apoios financeiros obrigou a cancelar o aluguer desse espaço, o que significou um "grande rombo" no funcionamento da associação, frisa o vice-presidente.

Em declarações à Lusa, a vereadora da Cultura da Câmara de Faro diz que a Filarmónica de Faro é "uma das muitas" associações que pedem uma nova sede e que a autarquia está a tentar resolver a situação, embora admita que os requisitos exigidos para uma escola de música não sejam fáceis de preencher.

"Será necessário um espaço com salas compartimentadas e insonorizadas", disse Alexandra Gonçalves, acrescentando que a autarquia tem presente essa necessidade e que está a tentar resolver a situação até porque aquela é a única associação filarmónica da cidade.

Para Carlos Santos – professor de guitarra e foi um dos primeiros alunos da escola de música da Filarmónica -, os ensaios são um "desafio" em termos logísticos e o que tem valido à banda é a cedência do auditório da delegação do Algarve do Instituto Português da Juventude (IPJ).

Além de terem que transportar constantemente os instrumentos de um lado para o outro, a falta de um espaço com mais condições também tem impossibilitado uma "maior união" entre os músicos, pois estão todos dispersos, o que enfraquece o associativismo, acrescenta.

"Se pudéssemos na nova sede explorar um bar sempre podíamos ter algum retorno financeiro", lança Carlos Santos, lembrando o exemplo de outras associações culturais em Faro como os Artistas cuja sobrevivência depende da exploração do bar onde se realizam também concertos.

Além de pertencer à direção, Rui Cabral e Silva é um dos cerca de 60 alunos das aulas de música da associação – que abrangem disciplinas como o canto, clarinete, saxofone, guitarra, flauta, piano ou bateria -, que vão permitindo à escola manter alguma autonomia financeira.

Com um repertório "pouco comum" nas bandas filarmónicas espalhadas pelo País, a de Faro toca por exemplo música de filmes e mesmo quando toca marchas imprime nas partituras influências da música africana e americana, recorda Rui Cabral e Silva.

Lusa

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