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Associação “Leigos para o Desenvolvimento” voltou a dar-se a conhecer no Algarve

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

A associação “Leigos para o Desenvolvimento” (LD), uma ONGD (Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento) católica ligada aos jesuítas, com 30 anos de vida, realizou no passado mês de outubro duas sessões de apresentação no Algarve para dar-se a conhecer e angariar voluntários.

Na sessão em Faro, realizada no Seminário de São José, Andreia Carvalho explicou que aqueles encontros servem para apresentar a associação, incluindo o seu programa de formação e voluntariado. Depois do visionamento do vídeo de apresentação, aquela jovem que foi missionária da organização de 2006 a 2008 em Lichinga (Moçambique) e depois integrou os seus quadros como assistente administrativa e logística, explicou que a ONGD católica trabalha com “motivação de base religiosa”, mas em “projetos com todos e para todos”. “Em Moçambique trabalhamos muito com muçulmanos porque a maioria da população do sítio onde estamos é muçulmana”, exemplificou.

No encontro explicou-se que os LD são uma associação de voluntariado de longa duração para maiores de 21 anos. Ao período mínimo de voluntariado de um ano antecede uma formação prévia de nove meses (de novembro a julho) que é, sobretudo, um tempo de conhecer a organização e perceber a motivação pessoal. Os nove meses dividem-se em quatro etapas, onde se abordam temas como desenvolvimento, cooperação, voluntariado, missão, fé, espiritualidade ou interculturalidade, bem como os projetos e as respetivas metodologias no terreno. Estas etapas são trabalhadas nas reuniões quinzenais dos núcleos dos LD (Algarve, Lisboa, Coimbra e Porto) e no final de cada etapa realiza-se um encontro nacional em Lisboa, Coimbra ou Porto.

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

Para além das reuniões de núcleo e dos encontros nacionais, a organização vai propondo outras atividades como o Curso de Aprofundamento da Fé (CaFé) – um fim-de-semana com padres jesuítas em que os participantes podem colocar as suas dúvidas de fé –, ou os Exercícios Espirituais (retiro de silêncio) de três dias (a meio da formação) e de sete dias (no final da formação). Ao longo do tempo de formação os formandos têm também acompanhamento espiritual pelos assistentes espirituais de cada núcleo (padres jesuítas ou irmãs da Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus) e, embora não seja obrigatório receber o sacramento do Crisma, é aconselhável.

Ao longo dos nove meses há ainda as atividades de angariação de fundos para ajudar a manutenção dos projetos e voluntários no terreno. “Somos nós [Leigos para o Desnvolvimento] que asseguramos viagens, estadia e alimentação, seguro de acidentes pessoais e seguro social de voluntário que conta para a reforma”, frisou Andreia Carvalho, explicando que os voluntários não têm que ter estes encargos porque já despendem do seu tempo e doam o seu trabalho. Aquela responsável acrescentou que a “organização sem fins lucrativos”, para além das atividades promovidas pelos voluntários, tem financiadores, benfeitores e pro bonos que são “apoios muito importantes”.

Ao fim de um ano de voluntariado, os missionários realizam mais Exercícios Espirituais para perceberem se Deus os chama a renovar a missão por outro ano.

Mariana Pimenta foi com a organização em missão em 2011/2012 para São Tomé e Príncipe e depois tornou-se formadora no núcleo de Lisboa. Este ano colaborou durante três meses num projeto num bairro periférico de Benguela (Angola) que tem como objetivo capacitar as mulheres que, por serem garantes da família, têm menos oportunidades de formação pessoal, profissional e académica do que os homens.

Foto © Samuel Mendonça
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Sem uma “ligação forte, frequente ou fiel à Igreja”, Mariana Pimenta conheceu a associação em 2010, quando estava a acabar a licenciatura em Design de Comunicação, e participou numa sessão de apresentação movida pelo desejo de realizar uma experiência de voluntariado missionário. Começou a frequentar a formação e ao mesmo tempo a preparar-se para receber o Crisma. “Cresci muito espiritualmente e muito também do ponto de vista da minha formação pessoal. Tive acesso a técnicas de avaliação, de diagnóstico, de diálogo, de escuta ativa que me permitiram fazer o meu trabalho. A formação ajudou-me a perceber que a maior riqueza é a troca do conhecimento, poder partilhar a minha experiência com aquelas pessoas ao mesmo tempo que absorvo a experiência delas”, contou.

Ainda sobre impacto daquela experiência na sua vida, acrescentou que o ano em São Tomé E Príncipe mudou completamente a sua orientação profissional. Do design de comunicação passou a dedicar-se ao voluntariado social. Além disso, garantiu que o ano de missão foi o “auge” da sua vida espiritual e que a fez crescer na sua relação com Deus. “Acho que nunca estive tão próximo de Deus, do ponto de vista da minha relação pessoal com Ele. Foi de uma profundidade espiritual que nunca mais alcancei e não sei se algum dia vou alcançar. Espero que sim porque foi maravilhoso”, testemunhou.

Por outro lado, aquela missionária acrescenta ainda que o ano de missão a fez de sair de si para “ir à procura do outro”. “Estar um ano a viver em missão, em que a prioridade são os outros a quem servir, é tempo suficiente para nos habituarmos a viver assim”, testemunhou, acrescentando que “antes de sair de Portugal não tinha bem a noção do que é ser pobre”. “Depois do ano de São Tomé percebi que somos todos um”, sustentou, explicando que começou a “ver o mundo de uma maneira diferente”, “muito mais abrangente”.

Foto © Samuel Mendonça
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Marisa Varela esteve com a associação em missão no mesmo país em 2015/2016, onde acompanhou dois grupos de mulheres que montaram negócios de farinha de mandioca e de banana desidratada. Trabalhou também com a Cooperativa Agrícola de Porto Alegre e num centro de recursos educativos. Para além do empreendedorismo e da formação profissional, a coesão social e o associativismo foram também as suas áreas de trabalho. “Esta experiência traz-nos aprendizagens e formas de ver diferentes daquelas que são as nossas e que, no entanto, também são válidas”, testemunhou aquela recém-regressada missionária.

A jovem voluntária frisou que o trabalho da associação visa a capacitação dos agentes locais. “[É importante] não cairmos na tentação de chegarmos e fazermos. Que sejam as pessoas a envolverem-se ao máximo até para que os projetos possam ser sustentáveis e não caiam assim que a gente se vem embora”, afirmou.

Marisa Varela também destaca a dimensão espiritual. “Fazemos diariamente orações comunitárias. É um momento muito importante para o crescimento da comunidade e para que as coisas possam correr bem. É uma relação que não é só pessoal – minha com Deus –, mas de todos os outros elementos da comunidade”, considera.

Na sessão de Faro, Andreia Carvalho lembrou ainda a existência, desde há dois anos, do núcleo algarvio da organização, em Portimão, adiantando não existir a certeza de que funcione este ano se não houver formandos para a missão. Aquela responsável explicou, por isso, que a sua continuidade está a ser equacionada, embora haja uma “perspetiva otimista” para o manter.

A sessão em Faro no dia 19, que contou com 16 participantes, e a de Portimão, que teve lugar no dia seguinte na paróquia de Nossa Senhora do Amparo, contaram com o apoio do Sector da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve.

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