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A Vivmar pretende alertar os responsáveis do Programa Polis da Ria Formosa (de valorização ambiental) e da Câmara de Faro para o caráter prioritário das dragagens dos canais, cujo atraso está “a ameaçar o ecossistema” desta zona húmida e “a sobrevivência de milhares de pessoas” que dela retiram o seu sustento, disse à Lusa o presidente da associação, Américo Custódio.

“A falta de dragagem é a destruição da ria e é o que está a acontecer neste momento nos canais principais e secundários. Há um grande desequilíbrio nas correntes, não há estabilidade nenhuma e, quando há marés grandes, a força da água destrói os esteiros e impede que o marisco e o peixe cresçam, além de provocar a degradação dos terrenos dos viveiros”, denunciou.

Também o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, Victor Lourenço, disse à Lusa que prefere estar ao lado dos viveiristas e mariscadores da ria no protesto, em vez de se juntar aos políticos na cerimónia, e assegurou que “não é coincidência nenhuma” a realização da manifestação coincidir com a assinatura da consignação do passeio ribeirinho.

“Sempre dissemos que as dragagens se estão a atrasar, estivemos este tempo todo a ver a Polis fazer estudos, só estudos. Agora vão fazer esta obra do passeio ribeirinho. A obra é bem-vinda, sem sombra de dúvidas, e é melhor do que a estrumeira que está ali, mas estar a valorizar a ria por fora e a deixá-la destruir por dentro, isso é que não faz sentido nenhum”, criticou Victor Lourenço.

O presidente da Junta de São Pedro, que também integra a direção da Vivmar, frisou que as dragagens sempre estiveram previstas no Programa Polis da Ria Formosa com caráter “prioritário”, mas o passeio ribeirinho acabou por avançar mais rapidamente “porque dá votos”.

“São pessoas ambientalistas e deviam-se preocupar com o ecossistema da ria, mas não, dá a impressão de que esta obra [passeio ribeirinho de Faro], como está a superfície, dá votos e currículo a quem a faz. Mas entretanto a própria ria, que é de onde saem todos estes produtos que alimentam uma série de gente, fica tal e qual como está e a ser destruída”, lamentou.

A sessão pública de consignação da empreitada do Parque Ribeirinho de Faro – primeira fase – realiza-se às 11:00, no Sítio da Panasqueira.

Lusa

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