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Foto © Samuel Mendonça

A delegação de Faro da Associação Espaço Jacobeus (AEJ) realizou no passado sábado o reconhecimento de um percurso de peregrinação para Santiago de Compostela, na Galiza, em Espanha, desde os concelhos de Faro e Loulé.

A iniciativa teve lugar no âmbito do trabalho em curso há cerca de um mês e procurou testar um trajeto já identificado que inclui “caminhos antigos” à saída de Faro e à entrada de Loulé, integrando-se na peregrinação jubilar de quase 22 quilómetros que o Seminário de Faro realizou ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, em Loulé.

No sábado de manhã, a peregrinação participada por 10 elementos ligados à AEJ sob a orientação espiritual do padre Nelson Rodrigues, iniciou-se com os peregrinos a seguirem até à igreja de São Pedro e Largo do Carmo, rumo à estrada da Senhora da Saúde, passando por detrás do Forum Algarve, estrada da Malvada, até ao Patacão.

Dali arrancaram para quase mais oito quilómetros até Santa Bárbara de Nexe, seguindo depois em direção a Loulé para os últimos quase 11 quilómetros que os levou a passar pelo sítio do Canal e pela Goldra.

A delegada no Algarve da AEJ – uma Associação Católica Portuguesa Privada de Fiéis que, para além da promoção da peregrinação ao túmulo do apóstolo, tem como missão o apoio aos peregrinos, o estudo, a marcação e a manutenção de antigos caminhos –, explicou ao Folha do Domingo não existirem “evidências documentais” de peregrinos que possam ter partido de Faro. “Dos peregrinos que fizeram o caminho a partir de Faro não temos relatos. As pessoas que saíram daqui não foram suficientemente importantes para deixar um relato escrito na Idade Média. Sabemos que muitas pessoas iam de barco, sobretudo, os que tinham mais dinheiro. As pessoas que tinham menos dinheiro iam a pé, mas dessas não reza a história”, lamentou Susana Karina Sousa.

No entanto, aquela responsável tem esperança que o estudo das visitações da Ordem de Santiago possam “permitir fazer uma reconstrução dos caminhos percorridos pelos cavaleiros” e apela à participação das várias entidades, como a Diocese do Algarve, lembrando que o que está em causa neste trabalho é “promover é um processo de patrimonialização em que, de uma forma participativa, a população, os peregrinos, as associações e as entidades possam estar envolvidas na revitalização dos caminhos”. “Que todas as pessoas possam reconhecer isto pela importância que tem para a nossa identidade que é, essencialmente, cristã. É uma tomada de consciência nossa em relação a uma herança que nós podemos reconstruir”, complementou.

Susana Sousa lembra que, “de uma forma simbólica ou através da Ordem ou da devoção das pessoas, Santiago esteve sempre presente” no Algarve. “Isso ainda se vê em insígnias nas nossas igrejas ou nos brasões das freguesias. Loulé, por exemplo, tem as armas de Santiago no brasão da cidade”, constata, recordando ainda a “evidência física” da presença da Ordem de Santiago em Faro.

Neste sentido, aquela dirigente associativa explica que o trabalho já realizado procurou fazer a ligação dos pontos onde há referências à Ordem, unindo Faro e Loulé a Almodôvar, Castro Verde, Santiago do Cacém, Alcácer do Sal, Palmela, Lisboa ou Santarém para completar o Caminho Central Português para Santiago de Compostela que difere do Caminho Este Português já identificado e que parte de Tavira.

Entretanto, a Diocese do Algarve já fez saber que considera “imprescindível” que possa ser realizada “uma reflexão profunda e uma análise histórica aturada” no âmbito deste trabalho por uma “equipa de investigação composta por investigadores conhecedores da história do Algarve”.

Susana Sousa explicou ao Folha do Domingo que no próximo mês de março continuarão a testar o percurso a partir de Loulé, sendo que a intenção é chegar a Almodôvar até julho deste ano.

No dia 2 de julho deste ano, AEJ promoverá em Faro (em local a anunciar) um encontro com um conjunto de oradores, alguns historiadores e outros escritores, que farão palestras para “sensibilização, principalmente, do património histórico que está associado à Ordem de Santiago em Faro e Loulé”.

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