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Plataforma_algarve_livre_petroleoUm grupo de associações defensoras do Ambiente anunciou hoje que constituiu a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), estrutura que traçou como principais objetivos a defesa de uma região sustentável e a oposição à exploração local de petróleo.

Os integrantes desta Plataforma são o grupo informal de cidadão Glocal-Faro, Movimento Algarve Livre de Petróleo, Quercus – Associação Nacional de Conservação do Ambiente, Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve, SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Peace and Art Society e News Loop.

Num comunicado conjunto divulgado hoje, aquelas estruturas anunciaram a criação do “movimento social Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP)”, em março, mas sublinharam que a iniciativa está “aberta” à participação e envolvimento de quem queira juntar-se “à defesa de um Algarve sustentável e contra a exploração de petróleo”.

A PALP alertou a população para “os riscos inerentes à exploração de hidrocarbonetos na costa algarvia”, quando a imprensa aponta para a realização das primeiras perfurações “já este ano”, consumando uma decisão política que considerou ser de “uma gravidade extrema”, ao deixar os algarvios “à margem” de um o processo que irá “afetar decisivamente as suas vidas”.

“Não houve qualquer debate público sobre as consequências para a região de uma tomada de decisão desta natureza, nem há conhecimento de qualquer estudo de impacto social e ambiental. Nada se conhece do contrato entre o Estado e as empresas de exploração petrolífera. O silêncio e o secretismo político à escala governamental, regional e local sobre este assunto são ensurdecedores”, criticou a PALP.

A Plataforma anunciou que vai pedir aos presidentes das 16 Câmaras do Algarve “esclarecimentos sobre todas as decisões já tomadas no âmbito da exploração de hidrocarbonetos no Algarve” e “sobre as condições estipuladas no contrato de exploração entre o Estado e as empresas petrolíferas”.

A exploração petrolífera em causa deverá ser realizada no mar, ao largo do Algarve, e é vista com “apreensão” pela PALP, que adverte para os “possíveis impactos ambientais” negativos e para “a incompatibilidade entre uma região de turismo que se quer de excelência e a exploração de hidrocarbonetos”.

As associações consideraram, ainda, que as perfurações são “de alto risco”, porque serão feitas “numa zona de alta perigosidade sísmica”, e alertaram para as consequências de um eventual derrame acidental de hidrocarbonetos na costa, que representaria “perdas de recursos” para “atividades igualmente importantes no Algarve, como a pesca, a aquacultura, a salicultura”.

A Repsol é uma das empresas que assinaram com o Estado Português um contrato para prospeção e exploração de gás natural e petróleo no Algarve e o presidente da multinacional espanhola, Antonio Brufau, afirmou em julho passado que a companhia iria iniciar a perfuração e prospeção de gás natural no Algarve no próximo ano.

Após o anúncio, a Quercus contestou a falta de estudos de impacte ambiental e de medidas de minimização dos impactos ou de procedimentos de atuação no caso de eventuais derrames, críticas que a PALP reitera.

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