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A ação, organizada pelo movimento Verde Eufémia, criado para o efeito e entretanto extinto, motivou a abertura de um processo que poderá conduzir à realização de julgamento, de acordo com uma decisão que será anunciada hoje.

A abertura de instrução foi pedida há dois anos pelo advogado do agricultor lesado, estando marcada para estar tarde, às 14:00, no Tribunal de Portimão, a leitura da decisão do debate instrutório.

O caso remonta a agosto de 2007, quando cerca de uma centena de ativistas contra os organismos geneticamente modificados (OGM) invadiram a Herdade da Lameira, com cerca de um hectare, destruindo parte da cultura de milho transgénico.

Um dos seis arguidos no processo e então porta-voz do movimento defendeu, em declarações à Lusa, que deveria haver legislação sobre o tema e ser aplicada uma moratória ao cultivo de transgénicos.

Segundo Gualter Baptista, embora não haja um conhecimento profundo sobre os efeitos nefastos dos OGM, vários estudos realizados em animais apontam para alterações hormonais após o seu consumo.

De acordo com o ativista, existem no país cerca de cinco mil hectares de campos com milho geneticamente modificado, embora a dimensão possa ser maior devido à contaminação de culturas próximas.

“Se os cidadãos, incluindo os agricultores, não têm vontade de receber a contaminação de um vizinho que vai cultivar transgénicos têm que ter esse direito”, refere, sublinhando não haver uma entidade que avalie a situação atual.

De acordo com Gualter Baptista, de 31 anos, doutorado em Economia Ecológica, é muito importante que haja ações de resistência ao cultivo do OGM, pois “do outro lado existe o ‘lobby’ das multinacionais das sementes".

“A nossa ação [em Silves] foi pública e não foi feita às escondidas”, refere, considerando que a mesma foi “um sucesso” por ter permitido informar a população acerca de um tema que antes era praticamente desconhecido.

Lusa

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