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“A autarquia não pode ser marginalizada em processos que causem desequilíbrios ambientais”, disse à Lusa Rui André, depois ter tido conhecimento, através do jornal local, de que a empresa Felmica tinha requerido a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de minerais no concelho de Monchique.

O aviso da Direção-Geral de Energia e Geologia, entidade dependente do Ministério da Economia, foi publicado no Jornal de Monchique ao mesmo tempo que “convida os interessados” a apresentarem reclamações ou a manifestarem preferência ao pedido da empresa Felmica – Minerais Industriais, S.A., para a prospeção e pesquisa de feldspato na zona de Corte Grande.

O feldspato é um minério utilizado essencialmente na indústria cerâmica e do vidro bem como na produção de vernizes, tintas e em produtos para soldadura.

“Fui apanhado de surpresa. O processo ultrapassou-me completamente”, observou o autarca eleito pelo PSD, opondo-se à extração de minério naquela zona da freguesia de Alferce.

Contudo, admite que a autarquia “está disponível para estudar projetos em locais diferentes e que não tenham consequências nefastas para o ambiente”.

Rui André assegurou que qualquer processo de exploração de depósitos minerais em Monchique “terá de ser submetido a avaliação ambiental”, e recusa “projetos impostos” sem que a autarquia se pronuncie.

“A exploração de minérios é um assunto muito sensível, cujos impactos ambientais podem por em causa a sustentabilidade do concelho”, observou Rui André, sublinhando que “certos interesses económicos não podem estar acima dos do concelho”.

O autarca escreveu ao diretor geral de energia e geologia a “exigir explicações e a manifestar a oposição” da autarquia ao processo.

“Queremos saber com que linhas nos cosemos”, destacou o presidente da Câmara de Monchique, prometendo “usar de todos os meios legais para impedir” a exploração de minério na Corte Grande.

Rui André acrescentou que a população da freguesia de Alferce, na sua maioria estrangeiros, manifestou-se igualmente contra o processo, tendo disponibilizado os serviços jurídicos da autarquia para “ajudar na petição popular afim de impedir a exploração de feldspato”.

Lusa

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