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A dificuldade de reposicionamento de meios, a falta de meios perante a dimensão que o incêndio atingiu, alguma descoordenação na determinação de alguns locais e falhas no conhecimento total do terreno por parte dos coordenadores são pontos destacados pelo autarca António Eusébio (PS).

“Efetivamente, sentimos alguma demora na chegada dos meios, nomeadamente a 19 de julho quando o incêndio se propagou até São Brás de Alportel, tarde fatídica em que o incêndio ganhou uma dimensão de tal ordem que acabou por dificultar muito mais a intervenção no terreno”, recordou o presidente da câmara.

O relatório foi elaborado pelo investigador responsável pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Lousã, Domingos Xavier Viegas, a pedido do ministro da tutela, Miguel Macedo.

À agência Lusa, o investigador referiu que a insuficiência de meios de combate – bombeiros e viaturas – associada à ocorrência simultânea de vários focos de incêndio contribuiu para o alastramento das chamas.

Domingos Xavier Viegas apontou ainda avarias nos aviões, falta de aceiros, dificuldade de perceção do sistema de comando da localização do fogo e falha na previsão da sua evolução.

Entre as várias recomendações propostas, Domingos Xavier Viegas destacou o uso de ferramentas de suporte para avaliar o comportamento do fogo e a preparação das populações para se precaverem das chamas, nomeadamente através de formação e equipamentos.

António Eusébio espera que os relatórios realizados sobre este incêndio possam servir para uma reavaliação de todo o processo por parte de todas as entidades envolvidas e que permita criar métodos mais eficazes para combater incêndios no futuro.

“O que interesse neste momento é recuperar as áreas ardidas, recuperar as habitações perdidas, ajudar a população da melhor maneira em termos sociais e económicos com os meios disponíveis conjuntamente com os Serviços da Segurança Social”, sublinhou.

Os incêndios que atingiram a Serra do Caldeirão, entre Tavira e São Brás de Alportel, de 18 a 21 de julho, queimaram uma área aproximada de 24 mil hectares, sobretudo espaços florestais, de acordo com a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

O relatório independente foi pedido em agosto pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que alegou que a avaliação da ANPC não apresentava "recomendações, nem eventuais medidas corretivas a adotar em ocorrências similares".

Lusa

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