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Ressalvando que não conhece a totalidade do relatório elaborado pelo investigador Domingos Xavier Viegas, a pedido do ministro da tutela, o autarca Jorge Botelho (PS) disse que “vai na linha do relatório da Liga dos Bombeiros Portugueses que referia que houve um conjunto de falhas neste combate associadas também a algumas questões do próprio terreno”.

Para o autarca, neste momento, os esforços devem estar concentrados na recuperação das áreas ardidas, pretendendo “aproveitar a disponibilidade do Governo para ajudar a repor o potencial produtivo, o apoio aos casos sociais e os trabalhos na área agrícola”.

“É importante que se faça o cadastro para podermos ir ao encontro das preocupações de proteção da floresta mediterrânica, ou seja, a necessidade de replantar corretamente com espécies adequadas, com mais organização”, destacou.

Para Jorge Botelho este é também o momento para dar formação aos profissionais de proteção civil e de defesa da floresta e de disponibilizar meios para fazer a prevenção e limpeza da floresta.

“A ideia de que uma parte do dinheiro da proteção civil poder reverter para a limpeza das matas é muito interessante e considero que tem toda a oportunidade de fazer caminho depois da avaliação deste processo”, acrescentou.

O autarca sublinhou o esforço de muitos proprietários de terrenos que fazem a limpeza dos mesmos, mas admite que outros proprietários não têm dinheiro para o fazer.

“A mesma conversa tem a ver com as autarquias e com o Estado”, alertou admitindo que a lei dos compromissos levanta obstáculos às autarquias que queiram proceder à limpeza de terrenos municipais e outros.

“Para dispor de um conjunto de meios, nem que seja para as candidaturas comunitárias, que funcionam por reembolso, as autarquias para avançar com as candidaturas têm de comprometer dinheiro e estão sem essa possibilidade por causa da lei dos compromissos”, disse Jorge Botelho.

Entre as conclusões do relatório, o investigador Domingos Xavier Viegas destacou à Lusa a insuficiência de meios de combate – bombeiros e viaturas – associada à ocorrência simultânea de vários focos de incêndio contribuiu para o alastramento das chamas.

O investigador apontou ainda avarias nos aviões, falta de aceiros, dificuldade de perceção do sistema de comando da localização do fogo e falha na previsão da sua evolução.

Entre as várias recomendações propostas, Domingos Xavier Viegas destacou o uso de ferramentas de suporte para avaliar o comportamento do fogo e a preparação das populações para se precaverem das chamas, nomeadamente através de formação e equipamentos.

Os incêndios que atingiram a Serra do Caldeirão, entre Tavira e São Brás de Alportel, de 18 a 21 de julho, queimaram uma área aproximada de 24 mil hectares, sobretudo espaços florestais, de acordo com a Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Contactado pela Lusa, o Comandante Operacional Nacional da ANPC, Vitor Vaz Pinto, escusou-se a comentar o relatório alegando desconhecimento do seu conteúdo.

“A minha preocupação nesta altura é terminar a época de incêndios”, disse.

Lusa

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