Pub

“Não podemos continuar a ser marginalizados em processos que podem causar grandes desequilíbrios ambientais e que põem em causa a sustentabilidade económica”, disse à Lusa Rui André, após ter tido conhecimento que a empresa Sifucel, Sílicas, SA tinha requerido, em junho, direitos de prospeção daquele minério no concelho.

Em fevereiro, a empresa Felmica também tinha requerido à Direção-Geral de Energia e Geologia, tutelada pelo Ministério da Economia, a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de minerais na zona das Carapitotas, a sul do concelho serrano de Monchique, numa área de cerca de 1.000 quilómetros quadrados.

“Fui novamente apanhado de surpresa, porque fui confrontado com o pedido através dos jornais, sem que alguém tivesse contactado com a câmara”, disse o autarca, que recusa “ficar à margem nestes processos de licenciamento”.

“Temos de ser ouvidos, porque são explorações que afetam todo o concelho e em zonas de proteção ambiental”, destacou.

Rui André manifestou-se “intransigente” em permitir a extração de quaisquer tipos de minérios nas zonas requeridas pelas duas empresas, “devido à sua sensibilidade ambiental”.

“Trata-se de uma área classificada como zona de proteção especial e parte integrante da Rede Natura 2000”, observou.

Rui André acrescentou que a autarquia “está disponível para estudar projetos de empresas extratoras de minérios em locais diferentes, sem consequências nefastas para o ambiente e desenvolvimento do concelho”.

Face ao pedido de prospeção de depósitos minerais de feldspato no concelho de Monchique, o deputado José Luís Ferreira do partido “Os Verdes” questionou o Governo sobre quais “as entidades que se pronunciaram no âmbito das consultas públicas para a atribuição dos direitos de pesquisa e em que sentido se pronunciaram”.

Na pergunta enviada ao Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, aquele parlamentar recorda as caraterísticas “muito próprias” da Serra de Monchique, considerando que a exploração de feldspato, com minas a céu aberto, teriam “grandes e graves impactos no ecossistema, entre os quais recursos hídricos, paisagem e turismo”.

A Lusa tentou hoje confirmar o pedido dos direitos de prospeção junto do Ministério da Economia mas até ao momento não obteve resposta.

O feldspato é um minério utilizado essencialmente na indústria cerâmica e do vidro bem como na produção de vernizes, tintas e em produtos para soldadura.

Lusa
Pub