Pub

O tráfego naquele cais, situado no interior da ria, tem aumentado devido ao crescimento das exportações – sobretudo de cimento, para África -, o que aumenta a probabilidade de um acidente do género, sublinhou o chefe de serviço de combate à poluição do Departamento Marítimo do Sul.

"Em águas interiores o impacto é mais significativo do que no litoral, por ser uma área ecologicamente bastante sensível e por causa das atividades humanas relacionadas com a ria", explicou o comandante Ferreira Cardoso.

Além de a ria ser a base de sustento para muitos viveiristas e mariscadores, também o turismo – nomeadamente a hotelaria e a restauração -, seria afetado por um eventual desastre ecológico naquela área.

O exercício que hoje decorreu durante cerca de duas horas no cais comercial da cidade envolveu mais de 60 pessoas, na sua maioria pessoal da Marinha e das autoridades portuárias, tendo contado ainda com a colaboração da Universidade do Algarve.

O cenário baseou-se em um derrame acidental de cerca de 8.000 litros de gasóleo durante uma operação de reabastecimento de combustível de um navio mercante nas proximidades da Ria Formosa, uma das mais importantes zonas húmidas nacionais.

Para evitar a propagação dos resíduos fictícios, foram colocadas barreiras para contenção do derrame, instalados dois pontos de recolha com um recuperador e um sistema de trasfega dos resíduos, que seriam depois canalizados para tanques de armazenamento.

Apesar de alguns equipamentos estarem distribuídos pelas capitanias, a base logística onde está armazenado o material mais pesado é em Portimão, pelo que num cenário real de acidente na Ria Formosa, a montagem de toda a operação demoraria cerca de três horas, adiantou aquele responsável.

De acordo com o comandante Ferreira Cardoso, o simulacro permitiu testar o desempenho das equipas de intervenção do Departamento Marítimo do Sul e da Capitania do Porto de Faro, assim como as comunicações com o Centro de Operações Móvel da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Permitiu igualmente a investigadores da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve testar o projeto “ARGOMARINE”, através da colocação de duas boias que vão validar os resultados de um modelo matemático de previsão da deriva do hipotético derrame.

O simulacro contou também com a participação da Câmara Municipal de Faro, do Departamento de Gestão da Área Classificada do Sul – Parque Natural da Ria Formosa, da Delegação do Sul do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Lusa

Pub