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Depois de no início de Dezembro a água potável e saneamento ter chegado a instituições, serviços públicos e estabelecimentos comerciais da ilha, falta agora instalar os contadores para que a água saia das torneiras das cerca de 400 casas da ilha.

Contudo, o Ministério do Ambiente só autoriza a ligação após os residentes conseguirem provar que ali vivem de forma permanente, medida que está a revoltar os moradores, devido à excessiva burocracia envolvida, disse à Lusa a presidente da Associação de Moradores da Culatra.

De acordo com Sílvia Padinha, já foram entregues 300 pedidos de contrato com a empresa que explora o sistema público de distribuição de água em Faro, mas até agora apenas foi autorizada a ligação de 12 contadores.

"Essas 12 casas onde foi autorizada a instalação de contadores pertencem sobretudo a pessoas reformadas, que têm mais facilidade em entregar toda a documentação que é pedida", referiu, lamentando a excessiva burocracia.

Além dos documentos de identificação e declarações de residência da Segurança Social e Finanças, as pessoas com filhos têm ainda que provar qual a escola que estes frequentam e apresentar os documentos de todas as pessoas que compõem o agregado familiar.

Segundo aquela responsável, mais complicada ainda é a situação dos pescadores, que têm que provar que exercem a actividade através de uma declaração da Docapesca sobre as vendas relativas aos últimos três anos.

"É mais de uma dezena de documentos que nos pedem, são muitos papéis e não faz sentido nenhum", queixa-se Sílvia Padinha, lembrando que o mais difícil "já passou" e que a instalação de contadores devia ser "a parte mais simples".

Sílvia Padinha diz estar preocupada com os problemas de saúde pública que decorrem da falta de água potável, já que a água dos poços que servem as cerca de 400 casas existentes na Culatra está contaminada pela água das fossas, devido à chuva.

"É preferível que as pessoas façam temporariamente uma ligação ilegal do que retirarem água dos poços, que está ou contaminada ou salgada", diz aquela responsável, apelando ao bom senso das autoridades.

"Se o problema é o pagamento da água, montem [as autoridades] um contador à saída do reservatório e contabilizem a água gasta que nós pagamos", garantiu a presidente da associação de moradores.

A ligação da rede em baixa dos núcleos da Culatra e Farol aos sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento do Algarve servirá cerca de 1000 pessoas e custou oito milhões de euros.

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