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No caso do Algarve, a recolha feita pelos cerca de 140 pontos comerciais significou uma redução de 20 toneladas em relação à campanha do ano passado, pese embora a adesão dos algarvios tenha sido nalguns casos bastante generosa, com pessoas a doarem carrinhos cheios de compras.

Nuno Alves, coordenador do BA do Algarve, disse ontem à noite à FOLHA DO DOMINGO, que, no primeiro dia da campanha, houve na região algarvia uma quebra de 9% (cerca de 10 toneladas a menos), relativamente a dezembro de 2010, ainda assim inferior à média do país, que no sábado registava, segundo aquele responsável, uma quebra de 11%. O BA do Algarve foi mesmo o segundo com melhores resultados a nível nacional, apesar da quebra.

No Algarve, a campanha envolveu cerca de 2500 voluntários, sendo que, no armazém em Faro, estiveram cerca de 400 pessoas a colaborar. “Nunca, em momento algum durante a campanha, houve falta de voluntários”, garantiu Nuno Alves, confessando que “cada vez há mais” colaboradores. “As pessoas acabam por se envolver nas causas de uma forma menos onerosa, dando um pouco do seu trabalho”, explicou, sublinhando que “há empresas e grupos que têm participado campanha após campanha”.

Neste fim de semana houve vários grupos de novos voluntários. Entre os estreantes contou-se um grupo de fuzileiros.

Também os grupos de católicos são uma presença muito significativa. Entre escuteiros do CNE – Corpo Nacional de Escutas, paroquianos, membros de movimentos, grupos de catequese e de jovens, professores de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica, entre outros, muitos são os que asseguram a campanha nos pontos de recolha algarvios. Nuno Alves destacou, a este nível, que escuteiros e grupos de catequese “têm participado muito ativamente”. “As paróquias têm-se envolvido. Felizmente há poucas com algumas reticências, mas a grande maioria envolve-se”, afirmou o coordenador do BA Algarve.

Aquele responsável lembrou que “as paróquias conhecem as suas comunidades, é importante o trabalho que desenvolvem e, nesse aspeto, são um bom contributo”, até porque a grande maioria são também beneficiárias do BA. “Todas as organizações são fundamentais e, para nós, é fundamental trabalhar com instituições que têm desenvolvido, ao longo dos últimos anos, um trabalho efetivo no terreno, que conhecem as comunidades”, complementou.

Nuno Alves considera que, apesar do aumento de casos de necessidade, fazer mais de duas campanhas anuais “é um exagero”. “Não deveria haver muitas mais campanhas para além daquelas que o BA organiza. O problema é que toda a comunidade das IPSS faz demasiadas campanhas, sobretudo nesta altura do ano, e as pessoas já estão cansadas de tanta campanha”, lamenta, considerando que se continua a “desperdiçar recursos e a saturar as pessoas”, ao invés de “privilegiar a concentração e um interlocutor”.

Os alimentos agora recolhidos no BA do Algarve serão divididos por seis meses (à exceção do leite que tem prazo de validade inferior) até à campanha de maio e distribuídos pelas IPSS algarvias que os entregam a cerca de 15.500 pessoas com carências alimentares comprovadas. “Complementamos as ofertas da campanha com as restantes dádivas do que nos for chegando ao longo dos próximos meses”, explicou Nuno Alves.

Ao longo desta semana, até domingo os portugueses podem ainda contribuir para os Bancos Alimentares Contra a Fome on line, no site www.alimentestaideia.net, uma nova plataforma de recolha de alimentos na Internet.

A nova plataforma permite comprar na Internet um conjunto de seis produtos alimentares para ajudar as famílias e cujo pagamento pode ser feito por Multibanco ou Visa.

Samuel Mendonça
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