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© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

O protótipo de um berço de cortiça, idealizado por duas arquitetas e concebido por um artesão algarvio, vai ser apresentado numa feira de “design” em Milão como uma das cinco peças finalistas de um concurso internacional de mobiliário ecológico.

A cortiça, única matéria prima usada no berço “Sleep Tight” (expressão que, em português, é equivalente a “dorme bem”), tem como vantagens o facto de ser 100% natural, impermeável, isolante, mantendo a temperatura, não inflamável e tem um toque aconchegante, explicaram à Lusa os diversos intervenientes no projeto.

O conceito de ninho inspirou as criadoras Karin Pereira e Sofia Chinita que, em parceria com o projeto algarvio TASA (Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais) e uma empresa de São Brás de Alportel, que ofereceu 300 quilos de granulado de cortiça, conseguiram dar corpo ao protótipo que é apresentado na próxima sexta-feira em Milão (Itália).

António Luz, o artesão algarvio que construiu o berço, com mais de um metro de comprimento e 40 quilos de peso, contou à Lusa que esta foi a primeira vez, em 30 anos a trabalhar com cortiça, que fez algo do género e mostrou-se orgulhoso com o produto final, que deu “muito trabalho” e que “deve ser muito confortável”.

Uma das autoras do projeto, Karin Pereira, explicou que a ideia é que o berço possa ser usado como cama para bebés até cerca de um ano de idade, podendo depois ser adaptado um mastro e uma vela para converter a peça num brinquedo, neste caso, um barco à escala real da criança, usando o movimento oscilante da peça.

“Queríamos fazer uma peça versátil e com maior utilização para poder estender o seu período de vida. Não é um berço apenas para uma criança, há de perdurar no tempo”, afirmou a arquiteta, que vive em Oeiras, estimando que a peça possa ser usada por crianças até aos quatro anos.

Segundo João Ministro, da ProActiveTour, que gere o projeto TASA desde 2013 e que será a empresa responsável pela comercialização, o preço de produção destas peças pode atingir os 1.600 euros, somando o custo da cortiça e a mão de obra, o que significa que o preço de venda ao público deverá rondar os 2.000 euros.

“É claramente um produto que entra num nicho de mercado mais de luxo e que vai ao encontro de um público com preocupações ambientais e de saúde”, referiu, sublinhando que a aposta é a exportação, numa perspetiva de internacionalização dos usos contemporâneos das artes tradicionais algarvias.

António Correia, da Novacortiça, empresa que ofereceu a matéria prima para a conceção da peça, disse à Lusa acreditar no sucesso do berço, defendendo que este dificilmente se tornará num produto produzido à escala industrial, pelos elevados custos de produção.

“Será apenas uma elite que poderá despender uma quantia razoável para alimentar a produção destas unidades”, afirmou o administrador da empresa, localizada em São Brás de Alportel, onde serão fabricados os berços, na fase de comercialização.

Apesar de estar consciente dos elevados custos que envolvem a produção da peça, Karin Pereira ainda mantém a esperança de que o berço possa vir a ser uma peça “mais democrática”, que não fosse vista “como um produto de luxo”.

O projeto TASA foi criado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve em 2010 e desde 2013 que é gerido pela ProActiveTur, sediada em Loulé.

O berço de cortiça concorre entre os cinco classificados, a nível mundial, ao prémio “Green Furniture Award”.

Os vencedores serão conhecidos na próxima sexta-feira durante a “Milan Design Week”.

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