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Bispo do Algarve presidiu a eucaristia em que se rezou pelos bombeiros

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve presidiu hoje em Tavira a uma eucaristia que teve também como intenção rezar pelos bombeiros, tendo em conta a época de incêndios que agora vai ser iniciada.

“Rezar não é uma demissão daquilo que é responsabilidade de cada um. É um compromisso assumido de maneira mais consciente e mais plena e, sobretudo, a compreensão de que não estamos sozinhos à luz da fé e da força que nos vem de Deus manifestado em Cristo”, afirmou D. Manuel Quintas na celebração que teve lugar na igreja de Santa Maria a pedido dos Bombeiros Municipais de Tavira.

“Rezar é comprometer-se, não é abstrair-se. Deus não se substitui a nós naquilo que nos compete a nós fazer. Deu-nos inteligência e as capacidades que precisamos para encontrar a resposta – a título pessoal, mas sobretudo a nível de conjunto – para as situações mais adversas da nossa vida”, prosseguiu o prelado, sublinhando que rezar pelos bombeiros neste início de época de fogos “significa, antes de mais, corresponsabilizar-se, ou seja, crescer na sensibilidade por preservar, por fazer tudo o que está pessoalmente e individualmente ao alcance de cada um para o bem comum”.

Numa referência à encíclica papal Laudato Si’ [Louvado Seja], o bispo diocesano disse que “a natureza não pode ser maltratada, saqueada, por vezes até reduzida a cinzas em áreas extensas”. “Temos que nos corresponsabilizar todos por cuidar e por preservá-la”, apelou, considerando que “esta conversão ecológica exige este esforço, esta maneira diferente de se situar face a esta casa comum que grita por socorro”.

“Esta ecologia ambiental conduz-nos à ecologia humana”, observou, acrescentando que “a terra está ao serviço do homem e o homem tem que estar ao serviço da natureza, no sentido de preservar, potenciar e desenvolver ainda mais todas as potencialidades que se encontram na natureza”.

D. Manuel Quintas quis também alargar a oração, “não apenas às corporações presentes, mas a toda a região do Algarve” e a todo o país. “Queremos também ter presente todos aqueles que faleceram no exercício do serviço de bombeiros, sem esquecer todos os que foram vítimas nos últimos incêndios. Foi uma nefasta tragédia que não queremos e que estamos a fazer tudo para que não se repita por aquilo que depende humanamente de nós”, afirmou.

“Todo este movimento gerado este ano, de sensibilização e de ações concretas, certamente nos motiva, envolve e responsabiliza e nos leva a concluir que não podemos delegar sem mais noutros, que fazem desta missão a sua vocação e o seu ideal de vida, aquilo que compete a cada um de nós”, acrescentou.

Em declarações ao Folha do Domingo e à Rádio Renascença, o bispo diocesano falou da importância para a Igreja algarvia daquela iniciativa pedida pelos bombeiros. “Acho que foi oportuno porque nos deu a possibilidade de, rezando com eles e por eles, mostrarmos que estamos ao seu lado como Igreja, como diocese e como comunidades paroquiais aqui de Tavira. Eu penso que é importante para os bombeiros sentirem este calor humano, esta proximidade, este afeto quando se inicia um período de risco, mais propício pelas condições climatéricas, para os incêndios”, destacou, lembrando que a Igreja do Algarve têm estado junto das corporações. “Como Diocese do Algarve estamos ao lado dos bombeiros. Respondemos de tantas maneiras e de tanto os modos, através das comunidades paroquiais, movimentos e de tantas iniciativas a que somos chamados para os apoiar e secundar, sobretudo com géneros”, complementou.

D. Manuel Quintas sustentou que esse apoio e proximidade das populações locais foram também expressos na presença naquela eucaristia de vários responsáveis paroquiais, não só do concelho de Tavira, mas também de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Face ao que ocorreu no ano passado, o bispo do Algarve admitiu que os bombeiros iniciem a nova época de “com alguma apreensão” e disse esperar que o “trabalho muito grande” de prevenção e preparação feito seja suficiente para evitar novas tragédias.

O comandante dos Bombeiros Municipais de Tavira confirmou essa apreensão por parte dos operacionais. “O estado de espírito dos bombeiros quando vão entrar nesta época é preocupante”, reconheceu Miguel Silva, justificando “a necessidade do apoio de todos”. “O ano de 2017 foi muito marcante a nível nacional e, infelizmente ou felizmente, toda a população portuguesa verificou que este flagelo dos incêndios florestais é um problema de todos. Como tal, a ajuda de todos é sempre uma mais-valia para nós”, sustentou, considerando “um apoio fundamental” aquele que receberam esta manhã na celebração em Tavira. Miguel Silva assegurou por isso que a iniciativa será para repetir no próximo ano.

Também o bispo do Algarve admitiu a possibilidade de voltar a realizar a celebração futuramente. “É bem possível que no próximo ano se estruture melhor e se alargue esta iniciativa a outros concelhos e até a um âmbito regional”, afirmou.

A mesma opinião tem o vigário das paróquias de Tavira que aceitou o repto dos bombeiros e tratou de organizar a celebração. “Este foi o primeiro passo para que se possa começar a realizar não só em Tavira. Podemos voltar todos os anos a ter estas iniciativas para mostrar que a Igreja também é solidária com estes homens e que os tem em grande conta”, afirmou o padre Fernando Rafael Rocha, que foi bombeiro durante seis anos antes de ir para o Seminário. O sacerdote garante que essa vivência foi determinante na sensibilidade que tem pela missão levada a cabo por aqueles operacionais. “Há um espírito que, quando se cresce num quartel de bombeiros, nunca nos deixa”, confessou.

Na celebração, participada também pelo comandante operacional regional da Proteção Civil, Vítor Vaz Pinto, e pelo presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho, foram benzidos terços que foram oferecidos aos bombeiros com uma pagela com uma oração a Nossa Senhora.

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) entrou hoje no “reforçado – nível III”, passando a contar até ao final do mês com um total de 485 operacionais e 123 veículos no terreno.

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