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Bispo de Santarém pediu no Algarve que catequese passe de “modelo escolar” a “modelo catecumenal”

D. Manuel Quintas, bispo do Algarve (E) e D. Manuel Pelino, bispo de Santarém (D)  © Samuel Mendonça
D. Manuel Quintas, bispo do Algarve (E) e D. Manuel Pelino, bispo de Santarém (D) © Samuel Mendonça

No encontro com o clero algarvio em que apresentou uma reflexão sobre a ‘Evangelii Gaudium’ (A Alegria do Evangelho) do Papa Francisco, o bispo de Santarém defendeu a passagem de um “modelo escolar de catequese” a um “modelo catecumenal”.

D. Manuel Pelino considerou, por isso, que a catequese tem de ser “querigmática” e “mistagógica”, ou seja, “não tanto doutrinal mas vivencial” e que consiga “articular a formação do conhecimento, da fé esclarecida, com uma fé celebrada e vivida”.

“Temos de rever a eficácia dos percursos de iniciação cristã. A maneira como fazemos cristãos não está a ter eficácia porque a gente faz uma catequese que, teoricamente, é a melhor catequese do mundo – não há nenhum país da Europa que tenha 10 anos de catequese –, mas chegamos ao fim dos 10 anos e não sabemos se estão verdadeiramente iniciados na fé”, afirmou o prelado, considerando este um “problema de fundo” que é preciso resolver para fazer face a “novos desafios”. “Temos novos desafios, temos de procurar caminhos novos. Temos de começar pela iniciação cristã, porque para formar evangelizadores, primeiro, temos de criar cristãos”, afirmou.

“Dez anos [de catequese] deviam proporcionar um caminho na introdução do mistério da Igreja e de Cristo, mas a gente não vê muitos frutos”, lamentou, considerando que “não se pode fazer caminho só com uma hora isolada de catequese sem nenhum outro complemento”. Neste sentido, propôs que se complemente a catequese com a oração quotidiana e a missa do domingo. “É importante hoje ter exercícios de fé que promovam e despertem para o encontro pessoal com Jesus Cristo. Uma catequese é o amadurecimento do primeiro encontro. Se o primeiro não se vez, a catequese é estéril, não tem base”, complementou, lembrando que a exortação apostólica do Papa “insiste muito” na importância de “levar cada catequizando a fazer o encontro”.

Encontro com o clero © Samuel Mendonça
Encontro com o clero © Samuel Mendonça

“Acho que temos muitos temas doutrinais, catequistas muito preocupados com os temas, mas temos poucos exercícios de fé e talvez alguns encontros doutrinais pudessem ser alternados com encontros vivenciais: vigília de oração, momento de escuta partilhada da Bíblia, momento de adoração”, afirmou, acrescentando que “o percurso tem de levar também a vivência da fé e não só a um conhecimento da fé”. “Claro que isto supõe que também os catequistas tenham essa vivência espiritual”, advertiu.

O bispo de Santarém evidenciou a importância do “espaço de meditação e reflexão pessoal em todos os encontros” e a necessidade de formar os catequistas “para serem guias de um percurso que leva à introdução na fé e não apenas «professores» que sabem doutrina e ensinar bem”, bem como da premência de “consciencializar continuamente os pais de que têm um caminho a transmitir aos filhos”.

Relativamente à preparação para o sacramento do Crisma, D. Manuel Pelino apelou à recuperação de “algumas dimensões da iniciação cristã que toquem os jovens como uma experiência de fé”. “Ao menos quando chegam ao Crisma, tentemos proporcionar-lhes o noviciado da vida cristã, aquilo que era o catecumenado antigo”, afirmou.

Ainda sobre a administração de sacramentos, o orador lembrou aos padres que o Papa pede uma Igreja “acolhedora, aberta a todos”. Neste sentido, frisou que Francisco considera que “as portas dos sacramentos não se devem fechar por uma razão qualquer”. “Se calhar nunca se pode negar, pode-se é adiar. Não se podem negar os sacramentos, podem-se é estabelecer os itinerários de formação para lá chegar”, complementou.

“O Papa chama a atenção que muitas vezes agimos como controladores da graça e não como facilitadores”, advertiu, lembrando que “a Igreja e a paróquia têm de ser testemunhas da misericórdia”.

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