Pub

«É a hora do amor total e definitivo», afirmou o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, na Missa de ontem, que assinalou o início do Tríduo Pascal, ponto mais alto do ano para a vida dos cristãos.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Nesta cerimónia, que evoca a primeira Páscoa cristã, nomeadamente o momento da Última Ceia e «exprime e perpetua no tempo o amor infinito de Deus pela humanidade», D. Manuel salientou que, em cada eucaristia, se vive «a hora da verdade sobre a fragilidade humana, do nosso pecado». «Há quem não se deixe amar, quem não se deixe envolver por este amor sem reservas, quem recuse este abraço», afirmou o prelado algarvio, recordando que «Jesus sabia que um deles o ia atraiçoar», mas que «o seu amor não tem limites».
Todavia, ressaltou, «o homem pode pôr-lhe um limite sempre que recusa deixar-se amar e ser envolvido por esse abraço» e esse afastamento «movido pelo orgulho e pela autossuficiência» de quem «julga não precisar de purificação alguma», de quem recusa ser amado, abraçado e perdoado resulta, na visão do Bispo, numa avaliação de Jesus «pelo sucesso e pelo poder». Para estes «o amor não conta», disse, porque «quando o coração endurece, a conversão não acontece, não se verifica o regresso do filho pródigo, não há abertura ao perdão. Há negação e deserção», conclui.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Jesus convida-nos a imitá-Lo na humildade e a deixarmo-nos contagiar por ela, elucidou D. Manuel Neto Quintas, pois Ele «convida-nos a deixarmos que a sua bondade nos purifique, nos reanime e nos faça sentar à mesa com Ele em comunhão com o Pai, usufruindo de todos os frutos da sua Páscoa». Aliás, Jesus, na Última Ceia, afirma «dei-vos o exemplo. Também vós deveis lavar os pés uns aos outros (Jo 13, 14.15)» e, assumindo a condição do servo humilde, que lava os pés aos seus convidados, sem por isso perder a sua condição de «Mestre e Senhor (Jo 13,13)», pretendeu, destacou o Bispo do Algarve, «estabelecer um novo modo de estar e ser membro da comunidade por Ele fundada, que deve ostentar para sempre esta marca indelével do lava-pés, ou seja do amor fraterno: manter bem limpo o nome do outro, não denegrir a sua honra, respeitar e promover a sua dignidade, aceitar as suas fragilidades, dispor-se a ajudar a superá-las». Por isso, «a mensagem fundamental deste gesto é a prioridade da caridade e do serviço», pois «a dignidade maior a que o Senhor chama é segui-lo na exigência do amor e do serviço aos outros» e, concluiu: «Quem quiser ser grande, faça-se servo».

Pub