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Bispo do Algarve abriu a Porta Santa mas lembrou que é por Cristo que é preciso «passar»

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Foto © Samuel Mendonça

“Esta é a Porta do Senhor, por ela entramos para alcançar misericórdia e perdão”. Foi com estas palavras que o bispo do Algarve procedeu ontem à noite à abertura da Porta Santa do Jubileu da Misericórdia na catedral diocesana em Faro.

O Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, proclamado pelo papa, iniciou-se no passado dia 8 de dezembro com a abertura da Porta Santa, na basílica de São Pedro, em Roma, e vai decorrer até 20 de novembro de 2016, dia em que se assinala a solenidade de Cristo Rei. O gesto simbólico de Francisco repetiu-se ontem por sua vontade em todas as dioceses do mundo.

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Foto © Samuel Mendonça

Em Faro, na celebração que teve início na igreja da Misericórdia, D. Manuel Quintas começou por lembrar que é Cristo que é, “verdadeiramente, a «Porta Santa» deste jubileu”, o 29.º da Igreja Católica. “É por Cristo que nós temos de passar. A Porta Santa deve recordar-nos a pessoa de Cristo. Passarmos por essa porta significa, antes de mais, que queremos passar por Cristo porque Ele é verdadeiramente o nosso jubileu, a fonte de misericórdia, o rosto visível da misericórdia do Pai”, afirmou o prelado, lembrando que “Deus é misericórdia”. “Tudo o que realiza é expressão da sua misericórdia para connosco. Só podemos compreender o que é Deus quando fazemos a experiência da sua misericórdia. Por isso, o Santo Padre convocou toda a Igreja para este ano a saborear e vivenciar de modo particular”, destacou, exortando os presentes, que vieram das várias paróquias que constituem a vigararia de Faro e de outros pontos da diocese, a serem “misericordiosos uns com os outros como Deus é misericordioso”.

Já na Sé, após a procissão em que se cantou a ladainha dos santos como evocação daqueles que “fizeram de Cristo a «Porta Santa» da sua vida” e a abertura da Porta Santa, o bispo diocesano benzeu a água com que aspergiu os presentes e que entregou depois da comunhão a cada uma das paróquias da vigararia de Faro. Na eucaristia do próximo domingo, a primeira que cada paróquia celebrará como comunidade, será repetido o rito de aspersão com aquela água que ficará depositada na pia batismal da igreja paroquial.

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Foto © Samuel Mendonça

D. Manuel Quintas procedeu também à abertura da porta do batistério, a “Porta da Misericórdia e da Vida”, lembrando que o sacramento do batismo é, particularmente, significativo da misericórdia de Deus. “Ele é a porta pela qual temos acesso ao abraço misericordioso de Deus que perdoa os nossos pecados, nos faz participantes da sua própria vida (eterna), nos torna seus filhos adotivos e nos insere no povo dos redimidos, na Igreja. Por essa porta, o batismo, entramos na salvação, por isso é significativo que a Porta Santa nesta igreja jubilar seja a porta do batistério”, afirmou, explicando por que razão aquela será também uma Porta Santa. “Passar por ela não é realizar um gesto mágico, mas fazer memória da indulgência plenária que o Senhor nos concedeu pelo batismo e que se renova, pela misericórdia de Deus, no sacramento da reconciliação”, advertiu.

Na sua homilia (áudio disponível abaixo), o prelado destacou os quatro espaços de celebração deste Jubileu da Misericórdia: o batistério, o confessionário, o sacrário e o mundo. “Todos somos convidados a fazer memória e redescobrir o nosso batismo, a professar a nossa fé dentro do próprio batistério, rezando a oração que ali estará presente”, afirmou D. Manuel Quintas em relação ao primeiro espaço.

No Algarve, a celebração do Ano Santo da Misericórdia está associada a dois sacramentos: o batismo e a reconciliação. Relativamente ao primeiro pretende-se a sua redescoberta através da valorização do batistério, cuja porta, nas igrejas jubilares, será a Porta da Misericórdia. Relativamente ao sacramento da reconciliação é proposta a recuperação ou criação de um “espaço digno e acolhedor” e a criação de um dia para adoração eucarística e celebração do sacramento.

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Foto © Samuel Mendonça

Evidenciando a relação entre o confessionário e o sacramento da reconciliação, o bispo diocesano advertiu que “a misericórdia de Deus não se limita a espaços concretos”. “Deus tem sempre o seu coração aberto para distribuir o seu amor e a sua misericórdia em qualquer lugar. Basta que alguém acolha essa misericórdia e esse perdão”, esclareceu.

D. Manuel Quintas aludiu ao sacrário, sublinhando a sua relação com o sacramento da eucaristia e a importância desta na constituição e identidade da comunidade paroquial, e acrescentou que o quarto espaço é o mundo. “O mundo todo onde somos chamados a comprovar que nos convertemos, que somos misericordiosos como o Pai, que partilhamos a misericórdia que evocámos de Deus”, sustentou, lembrando que os cristãos são chamados neste ano, de maneira particular, às obras de misericórdia.

O bispo do Algarve lembrou que “o tema da misericórdia é um tema muito querido ao papa Francisco” que o “assumiu como lema da sua vida e que agora propõe a toda a Igreja, um tema que define verdadeiramente o coração de Deus”. “Não desperdicemos este dom que o papa quis que a Igreja distribuísse para todos nós sem exceção”, pediu D. Manuel Quintas.

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Foto © Samuel Mendonça

A Sé de Faro estará aberta para oração pessoal, oração comunitária, eucaristia ou liturgia das horas, de segunda a sexta-feira entre as 17 e as 20h, e aos domingos entre as 16 e as 20h, culminando com oração de vésperas. O domingo é também o dia em que deverão ser realizadas as peregrinações paroquiais.

Para além da Sé de Faro, no dia 19 deste mês será realizada, pelas 19h, a abertura da Porta Santa na Sé de Silves e no dia 20 na igreja matriz de Portimão, pelas 11.30h, e na igreja de Santa Maria de Tavira, pelas 17h. No Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente conhecida como Mãe Soberana, em Loulé, a abertura da Porta Santa será feita no dia 1 de janeiro de 2016 na missa presidida pelas 15h pelo bispo do Algarve.

A celebração do Ano Santo no Algarve prevê ainda a realização de peregrinações à igreja jubilar mais próxima, à Sé de Faro ou ao Santuário da Mãe Soberana, em dias a estipular por cada uma das entidades.

programa  de celebração no Algarve do Jubileu da Misericórdia inclui diversas iniciativas.

Homilia do bispo do Algarve, D. Manuel Quintas:

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