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Bispo do Algarve advertiu que o Natal “tem de ser resposta” às “misérias do mundo”

Foto © Samuel Mendonça
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O bispo do Algarve disse na sexta-feira que o Natal “tem de ser resposta” às “misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs, privados da própria dignidade”.

Na homilia que proferiu, inspirado na bula do papa Francisco de proclamação do Jubileu da Misericórdia na missa da solenidade do Natal a que presidiu na Sé de Faro, D. Manuel Quintas começou por destacar que “a misericórdia de Deus-Pai assume um rosto humano na pessoa de Jesus”. “A celebração da solenidade do Natal no Ano Santo da Misericórdia, há poucos dias iniciado, indica-nos a oportunidade para nos apercebermos, sempre mais, do modo como a misericórdia define plenamente o ser e o agir de Deus, bem como deve definir o ser e o agir de todo o discípulo de Cristo”, afirmou.

Foto © Samuel Mendonça
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O prelado advertiu, contudo, que não basta contemplar o rosto do Menino de Belém. “Não podemos deter-nos, simplesmente, a contemplar o rosto de Deus feito Menino, ou seja, a grandeza da misericórdia de Deus. N’Ele, e por Ele, somos convidados a ser misericordiosos como o Pai, a «fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática», «situações de precariedade e sofrimento», «feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz porque o seu grito foi esmorecendo ou se apagou por causa da indiferença» generalizada”, alertou, citando o documento papal.

Foto © Samuel Mendonça
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O bispo diocesano prosseguiu (áudio da homilia abaixo), explicando que “neste Ano Jubilar, a Igreja e cada um dos seus membros são chamados ainda mais a «cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói»”. “«Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo»”, citou, considerando que “palavras mais fortes do que estas seriam difíceis”.

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“O Natal tem de ser resposta a estas realidades que estão bem vivas em tantas imagens que entram diariamente através dos meios de comunicação social pelas nossas casas. Por isso, somos convidados, como apelo e força que recebemos neste dia de Natal, não apenas a contemplar a misericórdia de Deus no rosto de Cristo, mas a refletirmos no nosso próprio rosto as palavras, gestos e atitudes, a mesma misericórdia manifestada em Cristo. Somos convidados a ser misericordiosos como o Pai”, prosseguiu.

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O bispo do Algarve defendeu que “tal como a misericórdia constitui a palavra-chave do ser e do agir de Deus que torna o seu amor visível e palpável pela pessoa de Cristo”, deve “constituir igualmente o critério identificativo dos seus verdadeiros filhos”, o “imperativo” do qual não podem prescindir, o “ideal de vida como critério de credibilidade” para a sua fé, a “trave-mestra que suporta a vida da Igreja”.

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D. Manuel Quintas desejou que a Igreja possa, em cada cristão, “ser serva e mediadora deste amor que vai até ao perdão e ao dom de si mesmo”. “Aonde a Igreja estiver, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. Onde houver cristãos qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia”, exortou.

O bispo diocesano evidenciou ainda o significado do nascimento de Cristo. “Reflete o movimento de Deus para o homem, assumindo a nossa condição humana, a nossa vida, alegrias, tristezas, fracassos, a nossa fragilidade, em tudo igual a nós menos no pecado, partilhando o nosso sofrimento, a própria morte, mas vencendo-a com a sua ressurreição. Este movimento de Deus para o homem é motivado e alimentado pelo dinamismo do amor de Deus por toda a humanidade e manifesta-se, visivelmente, na pessoa de Jesus”, concluiu.

Homilia do bispo do Algarve:

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