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D. Manuel Quintas, que começou por deixar claro que “o tempo da Quaresma é importante que seja visto como caminho de preparação da Páscoa para a renovação das promessas batismais”, disse, na celebração de bênção e imposição das cinzas que se realizou à noite na Sé Catedral de Faro, que a conversão pessoal dos cristãos “será tanto mais autêntica quanto mais se inspirar na escuta mais prolongada da Palavra de Deus e na resposta aos seus apelos, no encontro pessoal e mais íntimo com Cristo – de maneira particular através da oração –, e ainda na partilha solidária e fraterna com os mais necessitados”.

O prelado classificou ainda a Quaresma como um “tempo de conversão pela redescoberta sempre maior do amor misericordioso de Deus”.

Confrontando os presentes com as leituras escutadas questionou: “o que é que precisamos verdadeiramente de mudar para sermos sinal da presença do amor misericordioso de Deus?”. E lembrou que “Deus está pronto e sente gosto em perdoar porque é essa a forma mais excelente que tem de demonstrar o seu amor”. “Não desperdicemos este tempo”, pediu, afirmando ser “fundamental assumir compromissos pessoais e até familiares que visem esta renovação interior porque, para nos convertermos, precisamos de nos abrir ao amor de Deus”.

O Bispo diocesano destacou ainda que “é pela ação do Espírito de Deus, derramado nos nossos corações, que vemos de maneira mais clara a nossa vida e conseguimos discernir aquilo que não está bem em nós”.

D. Manuel Quintas apontou ainda a importância da conversão acontecer em comunidade, referindo-se à “ajuda fraterna”. “Podemos ajudar-nos uns aos outros nesta reconciliação e conversão pessoal”, disse, lembrando que esta mudança “exige que o tripé da oração, da esmola e do jejum” acompanhe também os cristãos em toda a Quaresma.

Referindo-se à sua mensagem para a Quaresma lamentou que continuemos “mergulhados numa crise que tarda em passar, se bem que o seu fim tenha sido anunciado já tantas vezes, até por gente com responsabilidade no nosso país”. “Todavia, as suas consequências nefastas continuam a fazer-se sentir inclusivamente entre nós”, evidenciou, referindo-se ao facto de o Algarve ser uma das regiões do país com maior índice de desemprego.

Nesse contexto lembrou a criação do Fundo Diocesano para ajuda às vítimas da crise e assegurou que a comissão encarregada de o gerir “aplicou-o integralmente para ir ao encontro de famílias necessitadas”. “Não chega a 40 mil euros, é uma gota, mas é produto de amor, generosidade e de muitas privações”, lembrou.

Sobre o destino das renúncias quaresmais que este ano revertem para o Haiti lembrou que “muitas das estruturas sociais que estavam a cargo da Igreja local ficaram totalmente destruídas”. “Queremos que o nosso fundo vá ao encontro destas necessidades”, explicou, garantindo que “o povo algarvio, de muitos modos e através de diversas instituições, vem já demonstrando a sua generosidade”. “Em muitas paróquias tem-se vindo a recolher muitos fundos”, anunciou, considerando que “a renúncia quaresmal, com esse objectivo, é uma forma de exprimir aquilo que o Evangelho nos pede com a esmola”.

Numa abordagem à mensagem do Papa para este tempo litúrgico afirmou que “a Quaresma deve levar-nos a criarmos espaço dentro de nós para que Deus esteja presente na nossa vida”.

O Bispo do Algarve, após a homilia, impôs as cinzas, auxiliado por outros ministros sagrados, a muitos cristãos que as quiseram receber. As cinzas para a celebração do início da Quaresma são obtidas dos ramos benzidos e levados processionalmente em Domingo de Ramos. “Esta é uma celebração altamente sugestiva: queimamos o que é inútil e talvez nocivo, transformando-o em adubo precioso para a terra do nosso coração. Queimar exige um ato de desprendimento em relação a algumas coisas a que estávamos apegados. Quando as impomos na fronte lembramos a nossa situação passageira nesta vida”, explicou-se na celebração.

Samuel Mendonça

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