Inicio | Sociedade | Bispo do Algarve considera que o magistério do papa Francisco tem sido marcado por quatro elementos

Bispo do Algarve considera que o magistério do papa Francisco tem sido marcado por quatro elementos

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve considera que o magistério do papa Francisco tem sido marcado por quatro elementos: a “novidade”, a “renovação eclesial”, a “misericórdia” e a “alegria/esperança”.

A ideia foi deixada por D. Manuel Quintas na conferência que proferiu no passado dia 31 de outubro no salão nobre da Santa Casa da Misericórdia de Faro, iniciativa realizada no âmbito do ciclo de conferências promovido por aquela instituição na celebração dos 500 anos da sua fundação.

Na conferência, que teve como tema o “Magistério do Papa Francisco”, o prelado disse que a “alegria”, a “misericórdia” e a “esperança” “são três palavras que sintetizam bem a novidade do magistério do papa Francisco”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo diocesano lembrou que a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho) “é o guião que o papa assumiu como programa pastoral do seu pontificado”. “É um documento que é fundamental para a compreensão do magistério do papa Francisco. É a sua marca, é o seu distintivo, o seu estilo próprio de ser sucessor de Pedro. A especificidade do seu magistério passa por aqui, por este estilo que ele quer imprimir na Igreja”, afirmou.

D. Manuel Quintas acrescentou que o Concílio Vaticano II vive presentemente uma nova atualização. “Passados 50 anos, aí está ele a atualizar o concílio, a trazer para hoje aquilo que o concílio já definiu”, afirmou, considerando que a “doutrina” do papa Francisco “não é nova”. “O que é novo são os gestos que ele realiza”, observou, acrescentando que “ele, ao retomar o concílio, pede à Igreja que se reforme, que repense o modo como está a anunciar o evangelho, a ser Igreja de Cristo”.

O bispo do Algarve considerou que a “novidade” no pontificado de Francisco, que disse ser “uma revolução da ternura e do amor”, consiste no seu “programa novo” e “radical” que “vai às raízes”. “É algo que vai ao essencial – por isso dizemos que é radical –, que nos perturba, que nos envolve, que abana connosco porque verificamos que ele tem razão naquilo que diz e, sobretudo, naquilo que faz”, sustentou. “O papa não ensina – e este de maneira particular – só através de documentos. Ensina, sobretudo, através de gestos”, afirmou, enumerando os documentos já publicados pelo papa argentino.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

De entre os gestos mais significativos de Francisco lembrou a sua preferência por viver na Casa de Santa Marta, a primeira viagem realizada fora de Roma, a Lampedusa, o ter prescindido da residência de verão em Castel Gandolfo, a construção dos balneários para os sem-abrigo, a distribuição de evangelhos de bolso com a ajuda de ajuda daqueles pobres ou a realização do rito do lava-pés em cadeias ou instituições de recuperação de toxicodependentes sempre com a estola colocada “à maneira de diácono”. “Sabemos que ele tem tido ações impressionantes”, constatou.

D. Manuel Quintas lembrou ainda o seu “empenho em favor da justiça e a luta contra a corrupção”. “Sabemos como ele tem levado isso para a frente com tanta tenacidade e tanta coragem”, afirmou, referindo também “a erradicação da chaga da pedofilia”. “Sabemos como ele se tem empenhado nisto”, constatou.

“A colegialidade episcopal, a promoção do laicado, a atenção a algumas práticas familiares, o renovado empenho ecuménico, o cuidado com a natureza, são temas que nos ajudam a alargar o horizonte do conhecimento do magistério do papa Francisco”, acrescentou, referindo ter logo pensado no momento em que foi conhecida a sua eleição “que seria uma lufada de ar fresco para a Igreja”. “É um dom do Espírito [Santo] para a Igreja”, afirmou, considerando o pontífice como “uma pessoa com um perfil muito oportuno” e “uma vocação adulta”, um “homem do encontro que respeita, acolhe e promove”.

A conferência foi precedida pela atuação de um trio de alunas do Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, composto por Cíntia Sebastião e Ana Rita Almeida nos violinos e Alice Guerreiro no violoncelo.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O ciclo de conferências promovidas pela Santa Casa da Misericórdia de Faro teve início com a primeira proferida por Eduardo Graça, presidente da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), sobre sob o tema Economia Social” no dia 26 de outubro e terá continuidade no dia 19 deste mês, no mesmo local, com a terceira conferência proferida presidente do Secretariado Nacional União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, também pelas 18h.

Verifique também

Colisão na EN124 fez ontem dois feridos graves e um ligeiro em Silves

Uma colisão entre dois veículos ligeiros na Estrada Nacional 124, em Silves, no Algarve, provocou …

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.