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“Convergimos para aqui por obra de muitas situações e movimentos. Não foi só uma pessoa que nos levou a isto ou um Governo ou dois. Foi, um pouco, a convulsão mundial”, defendeu o prelado na homilia, considerando que “em situações como esta, talvez seja melhor ralhar”. No entanto, lembrou D. Manuel Quintas: “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. “Se não há pão, adianta pouco…”, constatou o bispo diocesano, que fez referência à apresentação do Orçamento de Estado para 2012 que deixou os cidadãos “um bocadinho desnorteados” e à manifestação dos “indignados”, no último sábado.

D. Manuel Quintas alertou que “estas convulsões têm o sentido de nos despertar para encontrar resposta para as situações em que nos encontramos” e que “ninguém deve dispensar-se” desse trabalho porque a solução “não está numa pessoa só ou num grupo delas”, mas “em todos”. “À luz da fé e do compromisso social, queremos contribuir para que este «beco» não seja sem saída e só terá saída se todos nos empenharmos, apoiarmos e estivermos atentos às necessidades uns dos outros”, complementou, alertando para a resposta às “situações concretas e pontuais que já existem, vão continuar a existir e, talvez, a aumentar”.

“Procuremos, na palavra de Deus, luz que ilumine esta nossa realidade e nos ajude a assumir as atitudes que achamos mais adequadas ao momento que atravessamos, seja como comunidade cristã, seja também como comunidade cívica”, pediu o prelado, apelando ao contributo cívico. “Não podemos pensar que devemos viver só para Deus já com os pés desligados da terra. Não vivemos à margem da sociedade. A sociedade também somos nós. Temos direitos, mas também temos deveres”, alertou, apelando a que se saiba “integrar a oração e contemplação com a ação”.

Samuel Mendonça
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