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Bispo do Algarve considerou que através do «lava-pés» Jesus quis dizer que “viver é igual a servir”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Nesta noite, em que presidiu na Sé de Faro à Missa da Ceia do Senhor, o bispo do Algarve considerou que, através do “gesto eloquente”, que “fala por si mesmo”, de lavar os pés aos apóstolos Jesus quis dizer que “viver é igual a servir”.

Na eucaristia, em evocou o gesto de Cristo, lavando os pés a 12 homens da paróquia da Sé de Faro, D. Manuel Quintas destacou a simbologia do mesmo. “Os pés, sabemos que é um gesto simbólico, para que eu acerte o meu passo com o de Cristo e caminhe por caminhos de amor, de perdão, de misericórdia, da verdade, do bem e da paz. Por vezes, ficamos com um caminhar pesado, arrastamos os pés. Acertar o passo com o passo de Cristo significa acertar o batimento do coração com o batimento do coração de Cristo”, explicou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Lavar os pés uns aos outros quer dizer manter o bom nome do outro sempre limpo, não denegrir a sua honra pelas nossas palavras, respeitar e promover o outro na sua dignidade, bem como respeitar as suas opções, por vezes diferentes das nossas, as suas opiniões, aceitar as suas fragilidades, mesmo físicas e morais, dispor-se a ajudar a superá-las”, alertou.

Neste sentido, advertiu também para a necessidade de pedir a Jesus que “lave também a língua” de cada um. “A necessidade de purificar a nossa palavra, o modo como julgamos, apreciamos e, às vezes, como condenamos os outros”, explicou, alargando a simbologia às mãos. “Lavar as mãos para que eu possa socorrer, erguer, amparar, cuidar, acariciar, perdoar, construir a paz. Que as nossas mãos fiquem sempre abertas, para que sejam sempre mãos estendidas que socorrem, que acolhem, que erguem, que amparam quem vacila”, desenvolveu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Talvez também pedíssemos ao Senhor, como Pedro, que nos lavasse a cabeça”, acrescentou, lembrando que neste caso significa “mudança de mentalidade, postura e atitudes, uma opção mais decidida pelos valores do evangelho”. “Uma adequação da nossa vida àquilo em que acreditamos, celebramos, à fé que professamos”, complementou.

O bispo do Algarve evidenciou ainda que naquele gesto “está também a novidade da atitude de Jesus”, o “mandamento novo”. “A novidade não está no amar os irmãos. A novidade está no modo, não está simplesmente em amar-nos uns aos outros. Está em amar-nos como Ele nos amou. Isto é que é a novidade”, enfatizou o prelado, considerando que Jesus coloca a “fasquia muito alta”.

“Isto leva-nos a estabelecer uma relação muito íntima com a eucaristia porque Ele, na eucaristia, está mesmo ali como quem serve, permanentemente e silenciosamente ao nosso dispor. Mas podíamos dizer também: eficazmente ao nosso dispor porque é o pão da vida”, acrescentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas considerou assim que o novo “mandamento do amor”, a partir da própria eucaristia, compromete os cristãos a “amar”, “acolher” e a fazerem-se “«alimento» para os outros”. “O «fazei isto em memória de mim» quer dizer isso também, quer dizer celebrar a eucaristia na nossa vida, sendo «pão» partido para os outros, «pão» presente nos nossos gestos que são «alimento» para os outros, na nossa palavra que apoia, que sustenta, que fortalece e que ampara os outros”, observou.

Lembrando que naquela celebração, a Igreja evoca a Última Ceia, na qual Jesus instituiu a própria eucaristia e também o sacerdócio, o bispo diocesano manifestou a união e comunhão da diocese algarvia “com toda a Igreja” e “com todas as vicissitudes humanas”. “Queremos ter presente, de maneira particular, as vítimas, mortos e feridos, provocadas ontem [quarta-feira] pelo acidente na ilha da Madeira. Certamente todos nós nos sentimos próximos daqueles que perderam a vida e apresentamos ao Senhor aqueles que ficaram feridos, particularmente também as suas famílias. Que a nossa oração nesta noite especial, nesta eucaristia, possa aliviar o seu sofrimento”, afirmou no início da celebração.

A Missa Vespertina da Ceia do Senhor introduz na celebração do Tríduo Pascal, considerado o coração do ano litúrgico, o tempo particularmente significativo para toda a Igreja e para cada cristão pela celebração dos mistérios fundamentais da sua fé: a instituição da eucaristia e do sacerdócio, a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Como é hábito, no final da celebração o Santíssimo Sacramento foi levado em procissão e colocado em lugar de destaque no interior da catedral para veneração e adoração dos fiéis por só se voltar a celebrar a eucaristia na Vigília Pascal de Sábado Santo.

No dia de hoje, Sexta-feira Santa, aliturgico por ser o único do ano em que a Igreja não celebra a Eucaristia mas a paixão e morte de Jesus Cristo, imperam o silêncio, o jejum e a oração.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A celebração da tarde, centrada na adoração da cruz, nas igrejas com os altares desnudados desde a noite de Quinta-feira Santa, é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão eucarística.

À noite será realizada a Procissão do Enterro do Senhor. A mais significativa do Algarve decorrerá em Faro pelas 21h, presidida pelo bispo do Algarve, a partir da igreja da Misericórdia, percorrendo as principais ruas da baixa da capital algarvia.

Quinta-feira Santa 2019 - Missa da Ceia do Senhor

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