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O bispo do Algarve desafiou ontem, uma vez mais, à conversão de vida, criando nela “espaço para a presença de Deus” e “dos outros”.

Com a diocese algarvia a cumprir o oitavo domingo sem celebrações comunitárias da missa, a celebração de ontem realizou-se novamente com recurso à transmissão através das plataformas digitais, mas desta vez decorreu na capela do Seminário de São José de Faro por se celebrar também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações e o Domingo do Bom Pastor.

Lembrando que “converter-se significa acolher a Cristo como Bom Pastor”, D. Manuel Quintas realçou que implica também estar atento aos indícios de Deus. “Converter-se significa também saber ler na nossa vida os sinais que Deus nos dá, de tantas maneiras e de tantos modos, a nível pessoal e familiar, através de pessoas conhecidas e do mundo que nos rodeia”, considerou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Que lições é que posso tirar deste tempo que estou a viver, desta pandemia em relação à qual estamos felizmente a progredir, certamente devido ao esforço de tanta gente?”, interrogou, constatando que o seu combate “não tem sido fácil para ninguém, particularmente para os profissionais de saúde e todos a eles associados” e para os governantes “que têm tomado as medidas mais urgentes e necessárias que só são possíveis com o envolvimento e a responsabilização de todos”.

“E, certamente, que vamos continuar desse modo e dessa maneira. Não podemos facilitar porque lutamos contra um desconhecido e não temos, infelizmente, ainda modo de o vencer, de debelar esta pandemia e conter esta infeção”, prosseguiu.

O bispo diocesano acrescentou que o próprio Espírito Santo “conduz neste caminho de conversão” para “ver em tudo sinais da ação e do amor de Deus” e não de “julgamento” ou “condenação” sua. “Isto é fruto da nossa fragilidade, da nossa vulnerabilidade. Não somos todo-poderosos, não somos invencíveis. E talvez seja esta a primeira conclusão: a consciência da nossa fragilidade do ponto de vista humano. E, certamente, também a dar-nos conta que o mais importante da nossa vida são os outros, são as pessoas, seja aqueles que fazem parte da nossa família, seja do grupo mais alargado de conhecidos. Somos todos necessários, somos todos importantes precisamos todos uns dos outros”, prosseguiu, constatando ser “bonito ver os vizinhos à janela a cantar, a fazer festa, a sentirem-se mais próximos uns dos outros”.

“Estamos também aprender a relativizar o que antes absolutizávamos de uma maneira muito convicta. Afinal, verificamos que tudo isso é relativo na nossa vida diante do absoluto que é o outro, que são os valores sobre os quais apoio a minha vida, a minha família, a minha vida em sociedade. Aprendemos a valorizar as pequenas coisas e os pequenos gestos, sobretudo quando não os podemos realizar, nem os podemos acolher dos outros”, completou.

Por outro lado, o bispo do Algarve constatou que outra das lições da pandemia é “o modo como nos situamos face ao tempo”. “Antes o tempo fugia de nós e nós sempre atrás dele e nunca conseguíamos encontrar-nos. Talvez estejamos a sair desta situação, espero eu, mais disponíveis, mais atenciosos, mais solidários, mais fraternos”, concluiu.

D. Manuel Quintas recordou, uma vez mais, “todos aqueles que são atingidos” pela Covid-19, “de maneira particular os falecidos e as suas famílias, os curados” e pediu aos diocesanos que se unissem a si numa “oração de ação de graças” por dois membros da equipa formadora do Seminário que tiveram alta após cinco semanas de internamento hospitalar para tratamento da Covid-19. “A Diocese esteve unida por eles. Todos, desde os padres, aos leigos, às crianças, da catequese. Foi um tempo de muita comunhão na oração, pedindo para eles o dom da saúde”, declarou.

O bispo diocesano referiu-se ainda ao Dia da Mãe que ontem se celebrou. “Queremos rezar por todas as mães. Não é fácil celebrar o Dia da Mãe em tempo de pandemia, sem a proximidade do encontro, do afeto, de mães para filhos, de filhos para mães, de avós para netos, de netos para avós”, considerou.

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