Na celebração do beato algarvio, em Lagos, D. Vitorino Soares destacou a atualidade destas virtudes e desafiou os fiéis a seguirem o exemplo de São Gonçalo.

A cidade de Lagos celebrou ontem, 27 de outubro, a festa de São Gonçalo, beato algarvio nascido naquela cidade em 1360.Na homilia da Eucaristia, o bispo do Algarve apontou a humildade, a mansidão e a paciência como virtudes centrais do percurso do beato e propostas atuais para a vida em comunidade.

“A humildade torna-nos mais fraternos” e “mais irmãos”, afirmou o bispo diocesano, sublinhando que ser humilde não significa diminuir-se, mas reconhecer os outros como iguais e aproximar-se deles, independentemente da identidade, da capacidade ou do estatuto de cada um. A humildade, acrescentou, “não nos deixa perder a nossa identidade” e permite-nos estar mais próximos uns dos outros.

Sobre a mansidão, D. Vitorino Soares descreveu-a como “uma atitude que quebra a agressividade” e contribui para relações mais pacíficas e harmoniosas. É uma virtude a construir na vida social, familiar, comunitária e profissional, através de gestos que promovem o entendimento. Ao recordar São Gonçalo, salientou a sua caridade e a forma como “não afastava, mas aproximava”.

A terceira virtude destacada foi a paciência, entendida como a capacidade de resistir e continuar apesar das dificuldades. “A paciência é esta capacidade que nos permite resistir e que nos permite continuar”, disse, lembrando também a importância de sermos pacientes connosco próprios. O bispo do Algarve desafiou os fiéis a viverem esta virtude nas relações com os outros: “Se eu quero que os outros me aturem a mim, eu também tenho que aturar o outro”.

No final da homilia, D. Vitorino Soares deixou um apelo à imitação do beato: “Que na humildade, na mansidão e na paciência, nós possamos também seguir São Gonçalo”. A Eucaristia foi concelebrada pelo padre José Chula, um dos párocos das paróquias do concelho de Lagos, onde ontem se assinalou o feriado municipal, e foi também participada pelo presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira, de demais vereadores do executivo.

Depois da Eucaristia seguiu-se a procissão em honra de São Gonçalo pelas ruas da cidade, com a relíquia do beato, levada pelo bispo do Algarve. O cortejo com a imagem de roca, mandada fazer em 2023 e carregada pelos homens do andor, contou com meditações lidas pelo padre Vasco Figueirinha que permitiram conhecer a vida de Gonçalo e percorreu algumas das principais ruas da cidade, perante a curiosidade de muitos transeuntes estrangeiros.

Particularmente significativa foi a paragem junto ao Arco de São Gonçalo, também conhecido como Porta de São Gonçalo, na antiga porta da muralha medieval da cidade que integra o oratório dedicado ao padroeiro no local que terá sido o do seu nascimento.

São Gonçalo nasceu em Lagos no ano de 1360. Adotou o sobrenome de Lagos por costume da época entre os frades e entrou no convento dos “agostinhos gracianos”, nome vulgarmente dado, naquele tempo, aos frades da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho que viviam no convento de Nossa Senhora da Graça, em Lisboa.


Depois de ordenado foi pároco na Lourinhã, Lisboa, Santarém e Torres Vedras, onde veio a falecer no dia 15 de outubro de 1422. Desde esta data, Gonçalo foi aclamado como santo, tendo sido venerado pela população. No entanto, sendo beatificado pelo papa Pio VI em 1778, não chegou até hoje a ser canonizado.

A festa do beato algarvio é assinalada a 27 de outubro pela Igreja como memória facultativa e obrigatória na Diocese do Algarve e no Patriarcado de Lisboa.






