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D. Manuel Quintas sublinhou que “a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira mas nasce da fé que faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e incita a amá-la filialmente e a imitar as suas virtudes”.

O prelado presidiu à eucaristia que precedeu a procissão pelas ruas centrais da cidade, culminando com a habitual subida em apoteose ao íngreme cerro onde se implanta o Santuário com a pequena ermida e a nova igreja dedicadas à Mãe Soberana.

“O acolhimento filial de Maria, como modelo da fé da Igreja, é de importância fundamental para efectuarmos hoje uma mudança concreta de paradigma na nossa relação com a palavra [de Deus] (Bíblia), tanto na atitude de escuta orante, como na generosidade do compromisso em prol da missão e anúncio do evangelho”, acrescentou ainda o bispo do Algarve, na eucaristia concelebrada por D. António Carrilho, bispo do Funchal e natural de Loulé, que voltou a estar presente naquela festividade, este ano sob o tema “Como Maria, vivemos da palavra”.

“Acolhendo Maria como nossa mãe, queremos aprender a escutar Cristo hoje”, referiu ainda o prelado, que evidenciou o “exemplo de fidelidade” e o “testemunho da fortaleza de fé de Maria” e exortou os milhares de pessoas presentes a serem testemunhas de Cristo ressuscitado. “Não podemos separar a paixão e a morte de Jesus, que a imagem da Senhora da Piedade nos sugere, da sua ressurreição. Aquele que contemplamos, desfigurado pelo sofrimento e pela morte no regaço de sua Mãe, ressuscitou e está vivo. E tal como os apóstolos, também nós queremos ser suas testemunhas”, afirmou.

O bispo do Algarve desafiou a todos a aderirem com uma “consciência renovada” à pessoa de Cristo, “a acolher o seu projecto de salvação e de vida, a viver de acordo com os valores do evangelho que Ele veio anunciar”, lembrando que esta missão “não pode ser considerada facultativa ou suplementar da vida”. “Nenhum batizado deve sentir-se dispensado deste dever e desta responsabilidade”, acrescentou.

D. Manuel Quintas explicou que, “cada batizado, como ouvinte da palavra, conduzido e apoiado em Maria, ao estabelecer uma relação profunda com Cristo, actualiza a sua presença hoje no mundo”. “A contemporaneidade de Cristo, em cada época, realiza-se no seu corpo que é a Igreja e em cada cristão. Com as nossas opções, convicções, gestos e atitudes tornamos Cristo hoje presente”, complementou.

O bispo do Algarve, que lembrou as “crianças, os jovens, as famílias, os idosos, particularmente os que se encontram mais sozinhos e doentes, os desempregados, os abatidos”, consagrou Loulé e a Diocese do Algarve a Nossa Senhora.

Após a eucaristia, junto ao monumento a Duarte Pacheco, a procissão foi presidida por D. António Carrilho e participada pelos muitos sacerdotes que também concelebraram momentos antes. Impondo-se como a maior manifestação de fé a sul do Tejo, que é simultaneamente a mais significativa expressão de devoção mariana algarvia, a Festa Grande a Nossa Senhora da Piedade voltou a atrair a Loulé uma multidão imensa de pessoas que congestionou por completo a circulação na cidade, oriundas não só de todos os pontos do Algarve, como também de diversas regiões do país.

Ao esforço dos homens oito homens, vestidos de calças e opas brancas, que transportam a imagem de Virgem Maria com Jesus no braços, aliou-se a força espiritual dos muitos milhares de fiéis que, em vivas inflamadas a Nossa Senhora, acenando lenços ou em passo vivo e na cadência musicada dos homens da banda, «empurraram», calçada acima no calor da fé, o pesado andor da padroeira.

À chegada ao Santuário e junto à ermida, coube ao padre Mário de Sousa, pregador do tríduo de preparação da Festa Grande deste ano, fazer a pregação de encerramento. O sacerdote agradeceu, em nome da multidão, pelo exemplo e protecção de Nossa Senhora.

A festa, cujos primeiros registos históricos remontam ao século XVI, terminou com o regresso, em marcha, de todos com a banda até ao centro da cidade.

Samuel Mendonça
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