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Tendo presente este sentido, que este ano assumiu uma expressão mais significativa por se estar a viver até Junho o Ano Sacerdotal, muitas foram as pessoas, vindas um pouco de todos as paróquias do Algarve, que não quiseram deixar de estar presentes na Missa Crismal que teve lugar uma vez mais na Sé Catedral de Faro.

Na celebração participaram igualmente os diáconos e religiosos da Igreja algarvia, bem como os seminaristas algarvios, assim como alguns sacerdotes de outros pontos do país que estão nesta Semana Santa no Algarve a colaborar no trabalho pastoral.

Na Eucaristia, o Bispo do Algarve começou por lembrar os ausentes, particularmente os padres anciãos e doentes, e o Bispo Emérito, D. Manuel Madureira Dias, que se encontra em Évora e apelou ao crescimento da comunhão da diocese algarvia.

Na homilia, que dirigiu de modo particular aos presbíteros algarvios, o D. Manuel Quintas lembrou o empenho do clero do Algarve em “assumir os objectivos propostos pelo Papa Bento XVI para este Ano Sacerdotal”. D. Manuel Quintas lembrou que os “encontros mensais do clero”, a “celebração dos jubileus sacerdotais”, o “envolvimento” das comunidades na celebração deste ano, particularmente com a “adoração eucarística mais prolongada” com uma “maior disponibilidade para a celebração do sacramento da reconciliação” em diversas cidades da diocese e a próxima visita do Papa a Portugal “podem constituir para todos, meios privilegiados para reanimar o “dom de Deus” que está em cada um.

Embora não se referindo explicitamente aos recentes escândalos que têm ensombrado a Igreja, o Bispo diocesano lembrou que o gesto sacramental da imposição das mãos na ordenação de cada ministro “perdura no percurso existencial” da sua vida e do seu ministério, “seja em tempos de entusiasmo pessoal e pastoral, seja em tempos de debilidades e desencanto, ou mesmo de infidelidades, e de duplicidade de vida”. “Sentindo-nos, por vezes como Pedro, a afundar no mar agitado do mundo, mas sempre com a certeza de encontrar essa mão amiga que segura a nossa. As mãos de Cristo são sempre mãos que defendem, salvam, orientam e permanecem constantemente estendidas, sobre a nossa cabeça, e dão sentido à nossa vida e consistência ao nosso ministério”, afirmou.

O Bispo do Algarve lembrou que cabe ao sacerdote assumir os sentimentos de Cristo, “a mesma doação, a mesma entrega, o mesmo amor” e “nada fazer por ambição ou vaidade, mas com humildade, não tendo em vista os próprios interesses, mas os interesses dos outros”. “Temos consciência da nossa debilidade na resposta ao amor de Cristo. O dom que nos conferiu é um tesouro que transportamos em vasos de barro. Reconhecemos as nossas fragilidades”, reconheceu, acrescentando que os ministros sagrados também sabem que “Deus se serve dos fracos, para fazer grandes obras, e que é na fraqueza, que se manifesta a sua graça e o seu poder salvífico”.

Neste sentido, o D. Manuel Quintas exortou o presbitério algarvio a “conhecer Cristo, em ambiente de intimidade e amizade, particularmente na oração pessoal, como resposta à leitura orante da Palavra”, garantindo que assim superarão tudo o que possam desejar ou aspirar, inclusive as suas “debilidades”. “Conhecer Cristo e estar com Ele, eis caros padres, o segredo da fecundidade e da eficácia do ministério sacerdotal”, disse, considerando que o “tempo dedicado a cultivar a amizade com Cristo, é um tempo eminentemente pastoral”.

Manifestando admiração pela “dedicação” e “generosidade” dos sacerdotes que disse servir de “incentivo” no exercício do seu ministério, o Bispo diocesano pediu-lhes “uma revisão de vida” para “estabelecer prioridades pessoais e pastorais” e para “assumir um novo estilo de vida”, de modo a colocarem as suas vidas “ao serviço do que é verdadeiramente prioritário na construção do reino de Deus”. “A acção pastoral pode ser esgotante, até mesmo heróica, mas se não nascer da profunda e íntima comunhão com Cristo, o agir exterior toma-se estéril e ineficaz”, advertiu.

D. Manuel Quintas considerou que “o mundo de hoje, apesar dos inumeráveis sinais de rejeição de Deus, paradoxalmente, reclama que lhe falemos de um Deus que nós próprios conhecemos e tratamos familiarmente” e espera dos clérigos “simplicidade de vida, espírito de oração, caridade para com todos, especialmente para com os pobres, obediência e humildade, desapego e capacidade de abnegação e renúncia”. “Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra chegará ao coração do homem de hoje” e “corre o risco de permanecer vã e infecunda”, preveniu o prelado, lembrando que a “fidelidade” constrói-se e vive-se na “constância e na perseverança, na lealdade e na rectidão”.

D. Manuel Quintas considerou mesmo que “a falta de oração, a tibieza, a falta de entusiasmo por Cristo e a consequente inércia pastoral constituem, ainda mais que os escândalos ocasionais, os factores de maior fragilização da Igreja e da sua missão” e lembrou que “a fidelidade brota de modo natural e espontâneo quando a amizade é sincera”.

Por fim, D. Manuel Quintas pediu aos leigos estima e oração pelos seus sacerdotes. “Louvemos o Senhor pelo dom dos nossos presbíteros e diáconos e pelo que cada um deles é para a nossa Igreja diocesana”, exortou, manifestando gratidão pelos “doentes e idosos, que continuam a oferecer com amor a sua vida ao Senhor”. O Bispo do Algarve apelou ainda à oração pelos seminaristas e pelas vocações de consagração e aos sacerdotes que estimem os fiéis que lhes estão confiados.

Durante a celebração foram ainda benzidos e consagrados os óleos usados durante o próximo ano na administração dos sacramentos do Baptismo, Crisma, Ordem ou Santa Unção, ou na dedicação dos altares ou de novas igrejas. Particularmente significativo foi ainda o momento da renovação das promessas sacerdotais dos presbíteros presentes.

Samuel Mendonça

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