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Bispo do Algarve destaca “eloquência e alternativa” do sacerdócio perante a “falta de referências” para os jovens

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve considerou esta manhã na Missa Crismal a que presidiu na Sé de Faro que “apesar das inúmeras possibilidades de comunicação e de conhecimento mútuo”, uma das características do tempo atual é a “falta de referências modulares que provoca grande desconforto e fragiliza particularmente as jovens gerações”.

D. Manuel Quintas, que teve quase todos os sacerdotes do Algarve e alguns de fora (que vêm nesta altura colaborar com a diocese algarvia nas celebrações da Semana Santa) a concelebrar consigo na catedral, acrescentou que face a esta realidade “a vida do presbítero, porque diversa, adquire eloquência e alternativa”.

O prelado destacou que “o modo de ser e agir do sacerdote” “se alterou profundamente nas últimas décadas”. “Vivemos num contexto cultural muito diferente, de apenas algumas décadas, sobretudo provocado pela era digital e pela informática, com hábitos e visões da vida marcados por uma profunda mudança epocal”, sustentou.

Na sua reflexão, o bispo do Algarve convidou os inúmeros cristãos presentes de todo o Algarve a interrogarem-se sobre a vida de cada um dos párocos e demais presbíteros em “atitude orante e contemplativa face à sua dedicação de alma e coração a Cristo, à Igreja e à edificação do Reino”. “O que é que dá, verdadeiramente, sabor à vida de um presbítero? A quem é que ele presta o seu serviço? Qual é a razão última da sua doação generosa e total?”, interrogou, apontando para a sua “tríplice pertença ao Senhor, à Igreja povo de Deus e ao Reino”, que considerou um “tesouro inestimável” e exortou a “promover, defender e partilhar”.

A mesma atitude pediu aos sacerdotes. “A renovação da nossa fidelidade neste dia, bem como a unidade e a comunhão presentes na comum consagração do óleo do crisma, constitui um convite a que nos detenhamos, caros padres, em atitude orante e contemplativa diante deste dom que o Senhor nos concedeu”, afirmou, referindo-se à renovação das promessas sacerdotais feita pelos padres após a homilia e à bênção dos óleos dos catecúmenos e enfermos e à consagração do óleo do crisma realizadas na celebração que serão usados durante o próximo ano na administração dos sacramentos do Batismo, Crisma, Ordem ou Santa Unção, ou na dedicação dos altares ou de novas igrejas.

“Da liturgia deste dia recebemos o convite a nos abrirmos à ação do Espírito, uma vez que é ele que nos renova e fortalece nesta consagração e missão, de modo a acolhermos em Ano Missionário um renovado envio a anunciar e a testemunhar a boa nova de Jesus Cristo como Igreja missionária que somos todos”, prosseguiu o bispo diocesano, lembrando ser “o mesmo Espírito que incendeia o coração dos ministros do evangelho para que da sua vida brote o fervor e o entusiasmo capazes de contagiar o mundo”.

D. Manuel Quintas acrescentou ainda que o presbítero “deixou, como Moisés ao aproximar-se da sarça ardente, que as chamas queimassem as suas ambições de carreira e poder”, “não se atemoriza com as fragilidades humanas” porque “antes aceita ocupar-se do destino dos mais frágeis”, “assume não dispor de si, nem ter uma agenda que determina sem condescendência a sua vida” , “assume que o amor, traduzido no serviço dedicado aos que lhe estão confiados, é o tudo da sua vida”, “não procura garantias terrenas, nem títulos honoríficos”, “nada exige que vá além da sua real necessidade, nem se preocupa em vincular a si aqueles que lhe estão confiados”, “vive um estilo de vida simples”, “privilegia a disponibilidade que o torna credível diante de todos e lhe permite ser próximo de todos, particularmente os excluídos na prática de uma caridade pastoral livre e fraterna” e “procura ser homem de paz e da reconciliação, sinal e instrumento da ternura de Deus”.

Lembrando que o sacerdote é “membro de um presbitério diocesano” e “participante de uma comunidade concreta com a qual partilha o seu caminho de cristão e pastor”, o bispo do Algarve enfatizou que “o povo de Deus é o seu ‘habitat’ natural, o seio donde nasceu a família a que pertence, a casa a que é enviado”. “Esta pertença, que radica no batismo, é respiro que liberta do autismo de toda a autorreferencialidade que isola, aprisiona e empobrece”, considerou, acrescentando que “esta pertença é o tempero da vida do presbítero”.

D. Manuel Quintas considerou “simultaneamente vital” para o sacerdote “encontrar-se no «cenáculo» do presbitério”, advertindo que essa experiência “liberta de narcisismos e competições, faz crescer a estima, o apoio e a benevolência recíprocas, favorece a comunhão não só sacramental ou jurídica, mas fraterna e concreta”. “Este caminhar juntos, ainda que de modo diverso por idades ou por sensibilidades, constitui um verdadeiro perfume de profecia que surpreende, fascina, contagia e atrai”, sustentou, apontando como caminho para novas vocações.

O prelado acrescentou que o presbítero “lança-se abnegadamente na resposta às situações concretas que preenchem a sua vida e o seu ministério, doando-se com gratuidade e alegria, sem esperar palavras de gratidão ou reconhecimento”. “A construção do Reino é o horizonte que lhe permite relativizar tudo o mais, diluir preocupações e ansiedades, permanecer livre das ilusões e do pessimismo e conservar no coração paz e a alegria presentes na palavra que anuncia e nos gestos que realiza”, acrescentou.

A terminar, D. Manuel renovou um pedido já habitual aos cristãos leigos. “Estimai os vossos párocos, rezai cada dia por eles e por mim, para que o nosso amor fiel a Cristo se alimente cada dia no testemunho da Palavra que vos anunciamos e se fortaleça, sempre mais, no dom da eucaristia que vos distribuímos; para que a nossa entrega, sem reservas a Ele e a esta nossa Igreja diocesana, seja sinal e transparência de Cristo Bom Pastor que continua em cada um de nós a dar a vida pelas suas ovelhas”, pediu.

Missa Crismal 2019

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