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O bispo do Algarve destacou esta manhã a “importância da participação na vida da comunidade para o fortalecimento da fé”.

“É muito difícil vivermos a nossa fé sem nos inserirmos na comunidade cristã, sem este sentido de pertença, sem participarmos na eucaristia dominical. A nossa fé fica mais frágil, [ficamos] menos predispostos para acolher os outros, menos predispostos para partilhar o que somos e o que temos com aqueles que precisam, menos predispostos para anunciar aquilo em que acreditamos e, sobretudo, para fazer com que Cristo vivo e ressuscitado esteja presente na nossa vida, na vida que celebramos, que professamos e que testemunhamos”, sustentou D. Manuel Quintas, que voltou a presidir à celebração da eucaristia no oratório do Paço Episcopal de Faro após as celebrações da Semana Santa na Sé.

“Talvez agora compreendamos melhor – sobretudo vós, que já há muito tempo que não participais, devidamente e pessoalmente, na eucaristia em que vos alimentais do «pão da vida» – a expressão dos primeiros cristãos: «nós, cristãos, não podemos viver sem o domingo, ou seja, não podemos viver sem a comunidade cristã, não podemos viver sem a escuta comunitária da palavra, sem a eucaristia”, prosseguiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo diocesano considerou que talvez esta privação “ajude a entender a força, a razão, a saudade com que os cristãos diziam e exprimam publicamente esta afirmação de fé”. “Peçamos ao Senhor que abrevie o tempo para que possamos novamente reunir-nos, encontramo-nos para saborear a alegria de sermos comunidade que se une e reúne à volta de Cristo vivo e ressuscitado”, exortou.

D. Manuel Quintas evidenciou assim a importância da dimensão comunitária da fé para que esta “ilumine” a “própria vida” e, sobretudo, “ilumine as dificuldades” que a acometem, dando como exemplo, “toda a espécie de perseguições que os primeiros cristãos sofreram” ou os “imprevistos pelos quais a humanidade de todos os tempos passa”, dos quais é também exemplo o atual momento de pandemia. “Que o apelo da palavra de Deus possa marcar a nossa vida neste tempo de tribulação”, desejou.

O bispo do Algarve realçou, no entanto, que a comunidade cristã está não só “presente em cada diocese reunida à volta do bispo” e “em cada comunidade paroquial”, mas também na “comunidade que é também a Igreja doméstica que se reúne na sua própria casa”, realidade muito salientada pela Igreja neste tempo em que estão suspensas as celebrações comunitárias. “Na tarde do próprio dia em que ressuscitou, Jesus apareceu aos apóstolos reunidos com as portas fechadas, marcados pelo medo, de certa maneira confinados a um espaço doméstico e familiar”, lembrou, realçando o motivo daquele “confinamento doméstico”. “Tinham medo, não de um vírus qualquer que circulava no exterior, mas das perseguições que começavam a todos os cristãos”, justificou.

D. Manuel Quintas constatou que, felizmente, já se começa a “olhar para o dia de amanhã com alguma libertação de tudo aquilo que podia significar opressão”, mas advertiu que “há ainda muita gente a ser contagiada”, “muita gente, infelizmente, a falecer”, “muita gente internada e muita gente em hospitais ou nas suas casas que procura, com a ajuda dos profissionais de saúde, superar a doença em que se vê envolvida”, “muita gente por esse país e por esse mundo fora que se desdobra dos mais diversos modos” para “diminuir o contágio”.

“Vamos tê-los presentes como sempre fazemos nesta eucaristia. O meu apelo continua a ser o mesmo. Por um lado, vamos estar unidos na oração, vamos deixar-nos iluminar por Cristo vivo e ressuscitado, vamos procurar viver com responsabilidade e sentido de cidadania este tempo que vivemos e vamos também pedir ao Senhor que nos ajude a que chegue o dia em que possamos novamente reunir-nos em eucaristia nas nossas comunidades paroquiais para aí nos fortalecermos mais na fé em Cristo”, pediu na eucaristia em que teve também presente os catecúmenos que este ano não puderam ser admitidos aos sacramentos da iniciação cristã.

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