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Bispo do Algarve diz que o “grito” dos cristãos perseguidos chega hoje ao coração de Cristo

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© Samuel Mendonça

O bispo do Algarve disse esta tarde que é o “grito” dos cristãos “perseguidos por causa da sua fé” que hoje chega ao coração de Cristo.

Lembrando “os sofrem toda a espécie de tribulações”, na celebração da Paixão do Senhor a que presidiu na catedral de Faro, D. Manuel Quintas referiu-se concretamente àqueles “que hoje são perseguidos e têm de deixar a sua pátria e as suas famílias”, lamentando “todas as atrocidades que se cometem nos dias de hoje”. “Temos informação que algumas delas se tornam tão comuns – como nos disse o Papa Francisco na mensagem para a Quaresma – que parece que ficamos insensíveis e indiferentes”, lamentou, referindo-se à “globalização da indiferença”, expressão usada pelo pontífice.

“Isto torna-se tão comum que parece que já é normal. Não pode ser assim”, considerou, destacando os “cristãos, assírios, caldeus e sírios, no Líbano, obrigados a viver como refugiados” e “na Nigéria, mulheres e crianças, são usadas para ataques suicidas”. “Crianças, não apenas soldado, mas crianças-bomba. Como é que é possível isto nos dias de hoje?”, questionou, recordando ainda os 21 cristãos coptas egípcios assinados na Líbia em fevereiro.

Fazendo memória do encontro do Papa com John Chalmers, moderador da Igreja da Escócia, naquele mês, o prelado citou Francisco. “O sangue dos nossos irmãos cristãos é um testemunho que clama. Quer sejam católicos, ortodoxos, coptas ou luteranos, não importa, são cristãos e o sangue é o mesmo, o sangue que confessa Cristo”, afirmou, acrescentando: “é o grito destes nossos irmãos, perseguidos por causa da sua fé, que hoje chega ao coração de Cristo e ao qual nós nos queremos unir nesta tarde de Sexta-feira Santa”.

D. Manuel Quintas pediu aos cristãos algarvios que acolham o pedido do Papa, feito eco pela Comissão Nacional Justiça e Paz, para que tenham presente “todos aqueles que são perseguidos de diversas formas e motivações, nomeadamente por questões de fé”. “Acolhamos este apelo do Papa que pede que esta perseguição contra os cristãos, que o mundo procura esconder, acabe e haja paz”, acrescentou.

Lembrando que a salvação “vem da cruz de Cristo”, o bispo diocesano destacou ainda que “Jesus morreu por todos e para todos”. “Morreu de braços abertos para a todos acolher. Continua de braços abertos na cruz, de coração aberto para a todos nele incluir, ou seja, para que o seu amor chegue a todos sem exceção, sem ninguém se sentir excluído”, sustentou.

D. Manuel Quintas pediu então que cada pessoa responda a este amor. “Deixemos que, do nosso coração, ecoe uma oração cheia de fé e confiança a Deus, nosso Pai, na tarde deste dia, precisamente no dia em que celebramos a paixão e morte de Cristo. Ele que morreu por todos e para todos possa acolher estas nossas súplicas e possa moldar os nossos corações à imagem do seu coração para que, inundados pelo amor cujo exemplo ele hoje nos dá, possamos transformar sentimentos de guerra e de ódio em sentimentos de amor e de paz”, apelou.

No dia de Sexta-feira Santa, aliturgico por ser o único do ano em que a Igreja não celebra a eucaristia mas a Paixão e Morte de Jesus Cristo, imperam o silêncio, o jejum e a oração.

A celebração desta tarde, centrada na adoração da cruz, nas igrejas com os altares desnudadas desde a noite de ontem, é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão eucarística.

Na catedral de Faro, a celebração da Paixão do Senhor iniciou-se, como acontece em todo o mundo, em silêncio, com o bispo do Algarve a prostrar-se diante do altar descoberto, e terminou também em silêncio.

A celebração teve continuidade com a liturgia da palavra, constituída por um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa, a Oração Universal, à qual é hoje dado igualmente particular relevo por refletir o caráter também universal da morte de Cristo. Composta por dez intenções, a oração procura abranger todas as necessidades e todas as realidades da humanidade. Assim, esta tarde, para além de ter em conta “os que sofrem toda a espécie de tribulações”, particularmente os cristãos perseguidos, rezou-se também pela Igreja, pelo Papa, pelos bispos, presbíteros, diáconos e todo o povo de Deus, pelos catecúmenos, por todos os que crêem em Cristo de diferentes Igrejas, pelo povo judeu, pelos que não crêem em Deus e pelos governantes de todas as nações.

Seguiu-se depois a apresentação e veneração da cruz realizada por uma fila imensa de fiéis, incluindo muitos estrangeiros, e a comunhão da eucaristia ontem consagrada.

Homilia de D. Manuel Quintas:

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