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A ideia foi expressa, ontem à noite, no encontro que teve com cerca de 40 agentes da pastoral sócio-caritativa das três paróquias cidade de Faro e respetivos párocos no salão paroquial de São Pedro, no âmbito da visita pastoral que está a realizar à capital algarvia.

D. Manuel Quintas pediu aos presentes para ajudarem na mobilização para esta causa, considerando ser “muito importante ajudar outros a serem solidários e fraternos”. “Muita gente quer ajudar mas não sabe como e o vosso serviço é também esse”, disse, apelando à necessidade de “informar e provocar a comunidade”. “É necessário sensibilizar sempre mais as pessoas, alargar o serviço e mobilizar outros”, exortou no encontro no qual participou também a Capelania do Hospital de Faro.

Lembrando que, na Igreja, toda a gente pode “viver e praticar” a caridade, independentemente da sua condição de vida, o bispo do Algarve apontou a “dimensão social como caminho para a fé”. No entanto, o bispo diocesano lembrou que “o amor ao próximo é dimensão imprescindível do amor a Deus” e que “sem o amor a Deus, o serviço ao próximo pode ser uma filantropia que muita gente tem”. “Só o serviço ao próximo abre os meus olhos para aquilo que Deus faz e para o modo como Ele me ama”, sustentou.

O prelado advertiu também que a “verdade da participação” dos católicos na Eucaristia passa pelo modo como tratam os outros e acolhem o próximo. “É o amor ao próximo que torna verdadeira a minha participação na Eucaristia”, complementou o prelado, lamentando a falta de compromisso de muitos. “Tanta gente vive só de ritos e de rituais e, depois, não há resposta na vida”, criticou, lembrando que a ação social é uma “dimensão fundamental da vivência em Cristo” e “pertence à natureza mais íntima da Igreja, enquanto expressão da fraternidade humana e do amor de Deus”.

Citando João Paulo II (na Carta Apostólica ‘Novo Millennio Ineunte’), referiu-se à “fantasia da caridade”. “A caridade é muito criativa, dá-nos força para ajudar de maneiras diferentes”, concretizou, lembrando que o serviço aos outros traz “muita gratificação” e “serenidade”, “realiza interiormente” e “dá estabilidade a tantos níveis” a quem a pratica. “A caridade é algo tão nobre que nos «despe» de tantas coisas que nos afastam”, sublinhou o prelado, sustentando que a prática do serviço social implica descer ao nível do necessitado para “ver com o coração”. “Ver com o coração, obriga a baixar-me”, justificou.

O bispo do Algarve destacou que os agentes sociais da Igreja “são os representantes da comunidade junto de quem sofre”, advertindo-os que “não estão em nome pessoal, mas da comunidade” e lembrando-lhes que “a dimensão comunitária dá um outro sentido ao próprio serviço”. Por outro lado, evidenciou que “as pessoas confiam no serviço social da Igreja porque têm a certeza de que o seu contributo é bem entregue, de que é mesmo para as pessoas que precisam”.

D. Manuel Quintas lembrou que este serviço não passa exclusivamente pela recolha e distribuição de alimentos, mas inclui, entre diversas iniciativas, as visitas a doentes e pessoas sós para a assistência aos mais variados níveis.

O bispo diocesano explicou igualmente que o serviço fraterno constitui, ao lado do anúncio do evangelho e da celebração da fé, um pilar do “tripé” da ação da Igreja. “É uma «mola» impulsionadora da vida da Igreja da qual só nos apercebemos quando a praticamos”, afirmou. “Esta é uma dimensão sempre tão importante e particularmente, agora, devido à situação em que vivemos”, disse.

Por fim, o prelado considerou que os fundos sociais da Igreja são apenas de “emergência”. “Servem para aliviar mas não resolvem o problema das pessoas”, afirmou, defendendo a necessidade de se “trabalhar em rede”. “As instituições não estão em competição nesta área e podem servir melhor as pessoas”, justificou.

Samuel Mendonça

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