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Bispo do Algarve diz ser urgente o testemunho dos cristãos face ao fundamentalismo terrorista

Missa_ressurreicao_senhor_2016 (4)O bispo do Algarve considerou ontem na missa do Domingo de Páscoa que é urgente o testemunho dos cristãos face ao fundamentalismo terrorista.

“Os acontecimentos desta semana em Bruxelas, nomeadamente, bem como noutras partes do mundo, dizem-nos quão urgente é este testemunho. Acontecimentos que, efetivamente, nos deixam perplexos pela insegurança, pelo medo, pela morte, provocados por um fundamentalismo cego e cruel”, afirmou D. Manuel Quintas na eucaristia a que presidiu no Domingo de Páscoa na Sé de Faro.

“Como seria diferente a Igreja se nós, seus membros, nos decidíssemos a percorrer um caminho de renovação e conversão! Como seria diferente a nossa vida e a do mundo que nos rodeia se nos decidíssemos a ser testemunhas alegres de Cristo ressuscitado”, afirmou o prelado, lembrando que “celebrar a Páscoa é deixar-se contagiar pela alegria que inundou o coração de quantos experimentaram e testemunharam a presença de Cristo ressuscitado naquele primeiro dia da semana, quando as mulheres, sobressaltadas e assustadas ao verificarem que a pedra do sepulcro estava removida, escutaram do anjo o anúncio da ressurreição”.

“A nossa fé adquire nova vitalidade sempre que acolhemos Cristo ressuscitado na nossa vida e nos deixamos iluminar pela luz que brota da sua ressurreição. N’Ele a fé torna-se convicção profunda, adquire vitalidade e assume uma força geradora de conversão e de mudança de vida”, complementou o bispo do Algarve, lembrando que este é também o objetivo deste Ano Santo da Misericórdia que se está a celebrar.

“Este mundo que nos assusta precisa, urgentemente, de ser iluminado pela luz de Cristo ressuscitado, pela luz do testemunho de cada cristão, chamados a sermos semeadores da alegria e da esperança”, prosseguiu o bispo diocesano que já se tinha referido aos atentados terroristas da semana passada e aos refugiados na Sexta-feira Santa na celebração da Paixão de Senhor e na procissão do Enterro do Senhor.

D. Manuel Quintas lembrou ainda os que fogem da guerra e do terror, considerando que “não é menor o drama que continuam a viver milhares de refugiados de todas as idades, face aos quais parece não haver vontade ou capacidade de resposta”. Citando o papa Francisco, recordou que “tudo isto é revelador perante uma consciência insensível de uma indiferença gritante perante rostos exaustos e assustados das crianças e das mulheres e das pessoas que fogem das guerras e das violências”. “Muitas vezes não encontram senão a morte de muitos «Pilatos» com as mãos lavadas, situação que está a transformar o mediterrâneo e o Mar Egeu num cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e anestesiada, situação que é fruto da ganância, do lucro a qualquer custo de poderosos e vendedores de armas que alimentam a fornalha das guerras com o sangue inocente dos irmãos e que dão de comer aos seus filhos um pão ensanguentado”, completou.

No entanto, paralelamente a esta “imagem de um mundo sombrio”, o bispo do Algarve realçou o “empenho de uma multidão imensa, incomparavelmente maior, que se esforça, cada dia, por construir um mundo melhor”. “O mundo não são apenas estas desgraças que nos entram pela televisão. São aquelas que nós não conhecemos, aqueles gestos fraternos de tanta gente, com grande generosidade, voluntários em todos os âmbitos humanos, que procuram tornar este mundo melhor”, destacou, lembrando que “a vitória da luz sobre as trevas acontece no coração daqueles que deixam que a luz de Cristo se transforme em luz da fé que ilumina e dá sentido à própria vida; se transforme em luz do mundo presente no testemunho fiel e fecundo, iluminado pela palavra e fortalecimento pela eucaristia, celebrada em comunidade; se transforme em sementes de alegria e de esperança com a convicção de que o amanhecer do sol é mais forte do que a escuridão da noite; de que a aparente vitória do mal se dissipa diante do túmulo vazio e perante a certeza da ressurreição e do amor de Deus que nada pode derrotar, obscurecer ou enfraquecer”.

“Que a nossa profissão de fé neste dia de Páscoa em Cristo ressuscitado seja também o nosso compromisso em vivermos, de modo mais coerente e permanente, as implicações que esta verdade de fé nos traz. O mundo de hoje precisa do nosso testemunho de alegria, de fé e de esperança. Cristo ressuscitou verdadeiramente, está vivo e nós viveremos para sempre com Ele. A sua Páscoa é também a nossa Páscoa”, concluiu.

Homilia do bispo do Algarve:

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