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D. Manuel Quintas desafiou os paroquianos daquelas paróquias do noroeste do algarvio a “crescer na identificação” com Jesus. “Não queremos ser cristãos só de nome”, disse, criticando uma “fé de ocasião”. “A nossa fé não pode ser intermitente e utilitarista. Isso não satisfaz ninguém”, afirmou, lembrando que os gestos dos cristãos “têm de ser expressão e sinal da presença de Jesus”.

O prelado deixou ainda claro que “todos devem sentir-se corresponsáveis na vida da comunidade”. “Não devemos pensar que aqueles que se disponibilizam para colaborar na vida da comunidade nos dispensam de colaborarmos também. Quanto mais esta corresponsabilidade for vivida de maneira consciente, disponível e activa – cada um segundo o seu dom, as suas qualidades e a sua disponibilidade –, mais a comunidade cresce e mais força temos para mostrar Jesus aos outros”, sustentou.

Neste sentido, D. Manuel Quintas lembrou que “a vida só tem sabor quando é vivida para os outros”, a começar pelos “de casa”. “A nossa vida, vivida com este sentido de doação e entrega aos outros, é a expressão mais fecunda da nossa maneira de ser discípulos de Jesus. Neste sentido de doação e entrega aos outros passa também o sentido de doação e entrega pela paróquia com todos os serviços”, complementou em Aljezur, apelando ao alargamento dos colaboradores, não obstante considerar que aquela paróquia cresceu neste âmbito nos últimos nove anos.

O bispo do Algarve aludiu ainda à importância da oração. “A oração pessoal, individual, em família e em comunidade também nos ajuda a crescer na fé”, afirmou.

D. Manuel Quintas considerou ainda que a visita pastoral vale muito mais pela presença do que pela palavra. “O bispo fala muito ainda pela presença, pelo estar com as pessoas e pelo visitar os lugares e as instituições. Mais importante do que a minha palavra é apontar para Cristo, Ele é que é o bom pastor. Foi Ele que deu a vida por nós, que nos conduz e leva ao colo quando estamos mais desalentados e desanimados”, afirmou.

Com base no evangelho que relatava o desejo de uns gregos para ver Jesus, D. Manuel Quintas explicou que nessa vontade “está a razão de ser das visitas pastorais, de todo o percurso de iniciação cristã e aprofundamento da fé” que é feito na Igreja. “A visita pastoral procura despertar para a resposta a este desejo. Sabemos que não se trata de um ver apenas com os olhos, um ver de curiosidade. É um ver que significa conhecer melhor a pessoa e a mensagem de Jesus, significa disposição interior de acolher a mensagem e a pessoa de Jesus”, explicou.

O prelado deixou também em Odeceixe uma palavra de “reconhecimento e estímulo a prosseguir com entusiasmo, com disponibilidade e disposição para que Odeceixe seja sempre uma comunidade, cada vez mais, viva na fé, no amor, no conhecimento e seguimento de Cristo” e, nas duas paróquias agradeceu o acolhimento e a generosidade, sobretudo manifestada pela grande quantidade de produtos caseiros partilhados com o Paço Episcopal e com o Seminário.

Ao longo da semana, D. Manuel Quintas reuniu-se com agentes dos diversos serviços e movimentos das duas paróquias e visitou as creches e escolas EBI, a Câmara Municipal de Aljezur, as Juntas de Freguesias, a Santa Casa da Misericórdia de Aljezur, o Centro de Dia de Odeceixe, os Bombeiros Voluntários de Aljezur, a Casa da Criança, os museus José Cercas e Antoniano, o Espaço Mais, a Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur e diversos doentes em Aljezur, Rogil e Odeceixe.

Destaque ainda para dois momentos que marcaram a visita pastoral: a Via-Sacra ao vivo em Odeceixe, realizada por crianças e pais, e uma representação do musical “O Nazareno”, também organizada pelas crianças, jovens e pais da paróquia de Aljezur.

Samuel Mendonça
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