O bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, presidiu ontem à noite, no Seminário de São José, em Faro, à celebração de envio dos professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) que vão lecionar a disciplina nas escolas da região durante o presente ano letivo.
A iniciativa, promovida pelo Secretariado da Pastoral Escolar da Diocese do Algarve, contou com a participação de 20 dos 28 professores que este ano asseguram o ensino da disciplina na diocese. A celebração foi concelebrada pelo padre Pedro Manuel, assistente daquele secretariado.
No encontro, que constituiu o primeiro momento oficial de reunião entre o novo bispo diocesano e os professores de EMRC, D. Vitorino Soares manifestou a sua satisfação pelo encontro, sublinhando a importância de partilhar experiências e de fortalecer a missão educativa e evangelizadora que lhes está confiada.
“É com muita satisfação que nos encontramos e nos animamos também neste percurso, nesta tarefa que também nos é atribuída”, afirmou.
Na reflexão dirigida aos professores, o bispo do Algarve deixou três palavras que considerou fundamentais para o exercício da missão: reconhecer, unir e superar.
A primeira, “reconhecer”, foi apresentada como um convite a valorizar o trabalho desenvolvido por cada professor, o percurso de cada um e, sobretudo, os alunos que lhes são confiados, procurando conhecer a sua história e a realidade que está por detrás de cada um. D. Vitorino Soares apelou igualmente à valorização da própria disciplina, mesmo quando esta não recebe o reconhecimento que merece.

A segunda palavra, “unir”, foi associada à necessidade de os professores serem elementos de ligação e não de divisão, criando relações com a comunidade escolar, as famílias e a Igreja. “Somos diferentes. Somos uma parte desse conjunto. Somos uma parte dessa comunidade”, afirmou, defendendo que os docentes devem contribuir para construir vínculos, relações e compromissos.
Por último, “superar” foi o desafio lançado para enfrentar as dificuldades, ultrapassar limites e não desistir perante as resistências que possam surgir no exercício da missão. O bispo incentivou os professores a abrirem novos caminhos e horizontes, sem se fecharem no que sempre foi feito.
“Que este encontro nos ajude então a ouvir aquilo que Jesus nos diz. Que somos discípulos, que somos convidados a ser sal e convidados a ser luz”, concluiu.
A celebração incluiu também um momento de reflexão conduzido pela diretora do Secretariado Diocesano da Pastoral Escolar (SDPE), que destacou a dimensão humana e espiritual da missão dos professores de EMRC. “Ser professor de EMRC é muito mais do que ensinar conteúdos ou transmitir conhecimentos. É acompanhar vidas, acolher perguntas, despertar consciências, abrir horizontes e ajudar cada aluno a descobrir que é amado, único e portador de uma dignidade infinita”, afirmou Patrícia Mendonça.
A responsável convidou os participantes a fazerem silêncio no meio das tarefas quotidianas e a redescobrirem o sentido da sua missão, lembrando que cada gesto de atenção, cada palavra de incentivo e cada semente de esperança podem transformar uma vida.
O encontro integrou ainda a oração dos professores, com preces pelos docentes de EMRC, pelos alunos mais frágeis, pelas famílias e por todos os que se dedicam à educação.
O momento central da celebração foi o envio dos professores, através do qual a Igreja, pela voz do bispo diocesano, lhes confiou a missão de serem educadores cristãos no âmbito específico do ensino religioso escolar.
“A Igreja envia-vos para um serviço que prestais em seu nome e na fidelidade à sua missão evangelizadora. E fá-lo na certeza de assim prestar também um serviço imprescindível à educação integral dos alunos”, afirmou D. Vitorino Soares, antes de invocar sobre os docentes a bênção de Deus e de os enviar para as escolas do Algarve, após a realização do respetivo compromisso.
Os professores rezaram ainda a oração do professor de EMRC. A iniciativa terminou com um jantar de convívio com o bispo do Algarve, no refeitório do Seminário de São José. Antes da celebração, D. Vitorino Soares reuniu-se com os membros do SDPE.
A disciplina de EMRC no sistema de ensino
A Educação Moral e Religiosa Católica integra o currículo nacional e é de oferta obrigatória por parte dos estabelecimentos de ensino, embora a sua frequência seja facultativa. A disciplina está prevista do Ensino Básico ao Ensino Secundário, incluindo os cursos profissionais, cujas matrizes passaram a integrá-la no ano letivo de 2019/2020, na sequência do Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho.
A Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé consagra a existência da disciplina de EMRC. Os professores são propostos pelos bispos, nomeados pelo Estado e remunerados pela tutela.






