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Lembrando aquele acontecimento realizado por Cristo, associado ao gesto do lava-pés, ontem também por si repetido, o prelado considerou que “aquela foi a hora de Jesus” e “esta é a hora da Igreja”, a hora dos cristãos, evidenciando que existe uma “estreita ligação” entre a Eucaristia e o serviço fraterno. “Uma comunidade cristã, para o ser de verdade, terá de ser sempre uma comunidade que se alimenta da Eucaristia e exprime a sua comunhão com Cristo no serviço dedicado aos outros”, concretizou, acrescentando que a “união com Cristo” implica a “união com todos os outros, aos quais Ele se entrega”.

D. Manuel Quintas alertou ainda que “uma Eucaristia que não se traduza em amor, concretamente vivido, é, em si mesma, fragmentária”. “Destinatários do amor de Deus, os homens são constituídos sujeitos da caridade, chamados a fazerem-se instrumentos da graça para difundir a caridade de Deus e tecer com Ele redes de amor”, disse.

Numa clara alusão à atual crise, o bispo diocesano considerou que “o apelo que sentimos, e que brota da situação difícil que tantos dos nossos irmãos estão a passar, certamente encontrará resposta em cada um de nós”. “Celebrar a Eucaristia, comungar o Corpo e Sangue do Senhor, constituirá sempre, para todos, um imperativo de serviço aos outros, como expressão de amor fraterno no cumprimento do mandamento novo que o Senhor nos deixou”, complementou.

O prelado começou aquela celebração de Quinta-feira Santa, que introduziu ao Tríduo Pascal – «coração» do ano litúrgico que se celebra até ao próximo sábado Santo – por explicar o sentido do lava-pés. “Jesus prestou aos seus discípulos o serviço de escravo, com um gesto oposto ao de Adão que tentara com as suas próprias forcas apoderar-se do divino. Jesus, com um ato simbólico, ilustra o conjunto do seu serviço salvífico, da sua missão, despoja-se do seu esplendor divino, ajoelha-se diante de nós, lava e enxuga os nossos pés, sujos da poeira do caminho ou da vida, para nos tornar capazes do banquete nupcial de Deus”, afirmou, evidenciando o “amor de Jesus até ao fim, até ao extremo, como realização da sua hora, que nos purifica e nos lava”.

“O gesto do lava-pés exprime isto mesmo: o amor serviçal de Jesus que nos arranca da nossa soberba e orgulho e nos torna capazes de Deus e nos torna puros”, disse, acrescentando que, “neste gesto de Jesus, vemos a revelação do mistério da humildade de um Deus que manifesta o seu poder ao inclinar-se e ajoelhar-se diante de quem é mais fraco e mais pequeno”.

Como é hábito, no final da celebração o Santíssimo Sacramento foi levado em procissão e colocado em lugar de destaque no interior da igreja para veneração e adoração dos fiéis por só se voltar a celebrar a Eucaristia na Vigília Pascal de sábado Santo.

Samuel Mendonça
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