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“É preciso fazer silêncio no nosso coração e interrogar-nos: o que é que Deus nos pede, o que é que Deus quer de nós, o que é que Deus quer da humanidade com esta pandemia? Quais são as lições que, a nível pessoal, a nível eclesial também, a nível familiar, a nível social, devemos tirar desta situação?”.

As palavras são do bispo do Algarve e foram proferidas ontem à noite na celebração da memória litúrgica dos fiéis defuntos a que presidiu na Sé de Faro, tendo acrescentando que os últimos meses “não têm sido fáceis”, “não estão a ser fáceis e tudo indica que não vão continuar fáceis para ninguém”. “É como se toda a humanidade se sentisse ameaçada por uma arma invisível e insidiosa que a todo o momento, e quando menos se espera, pode implacavelmente atingir indistintamente, sem olhar a nada nem à condição de ninguém”, prosseguiu.

“Esta situação é geradora de sentimentos de incerteza e insegurança, de medos que desestabilizam, de sofrimento e desconforto generalizado, presente no silêncio inusitado das nossas ruas desertas, na solidão, nas ausências, na falta de afetos daqueles que nos são mais queridos”, desenvolveu, lembrando que “Jesus na cruz assume a oração da humanidade de todos os tempos que se sente abandonada, sem rumo e tantas vezes perdida”.

Neste sentido, considerou que “não é fácil conduzir os destinos de uma cidade, da sociedade em geral ou de um país no seu todo nestas condições”. “Nem nós sabemos muito bem como agir ou reagir a nível pessoal, a nível familiar, a nível social. Nunca foi escrito um guião sobre o modo como agir, como governar, em tempos semelhantes a este”, acrescentou.

“O mesmo se aplica ao modo como devemos animar a nossa pastoral diocesana em tempo de pandemia. Só a abertura à criatividade e à ação do Espírito pode levar-nos a discernir e a entender o que Ele hoje nos diz com este tempo de pandemia e quais as opções que dele devemos tirar”, referiu, considerando que elas deverão passar uma maior abertura à ação de Deus na vida de cada um e por “estar mais tempo com os outros”, particularmente aqueles quem se vive.

“Que a virgem Maria, Mãe de Deus e da Igreja, saúde dos enfermos e auxílio dos cristãos, venha em auxílio da humanidade sofredora, afastando de nós o mal desta pandemia e nos conceda tudo o que precisamos para a vencer, criando na nossa vida mais espaço para Deus e mais espaço para os outros, sobretudo os mais frágeis e os mais necessitados”, concluiu.

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