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“Todos andamos sem coragem de enfrentar o futuro e o dia de amanhã. Todos nos assustam e quem nos deve dar esperança parece que ainda nos assusta mais. Andamos todos subjugados com esta crise nacional e internacional, mas olhai que não podemos desanimar nem esmorecer. Temos dentro de nós a capacidade e a força, se nos unirmos todos, a começar no nosso pequeno ambiente, para ultrapassar as dificuldades”, disse o prelado.

Numa referência à fé na vida eterna, D. Manuel Quintas aludiu à “esperança numa vida futura”, mas também “numa vida melhor, com dignidade, já agora”. “O problema é que a felicidade nem sempre está naquilo que nós pensamos”, concluiu, lembrando que “Deus quer que a nossa vida tenha sabor”.

O Bispo do Algarve disse ser preciso “criar condições para que todos tenham o mínimo para viver com dignidade”, mas alertou que “o nosso projecto de vida, as opções que fazemos e o estilo que assumimos, em relação a nós e aos outros, deve abarcar a vida eterna em que acreditamos”. “Se assim for talvez as nossas opções e gestos sejam um pouco diferentes. Talvez comecemos a olhar para aquilo que é verdadeiramente essencial na nossa vida, que o tempo não destrói e que nos acompanha depois desta vida”, acrescentou, lembrando que “aquilo que temos, fica cá e não o levamos connosco”.

Citando uma frase de um padre de Aveiro falecido recentemente – “Tenho uma viagem marcada, quando a faço não sei. Do que tenho não levo nada, só levo tudo o que dei” –, D. Manuel Quintas valorizou a importância dos verdadeiros em detrimento dos contra-valores normalmente associados à consecução gananciosa de bens materiais.

Samuel Mendonça

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