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Lembrando que a visita pastoral (a realizar a cada sete anos) às paróquias faz parte das “obrigações do bispo”, o Bispo do Algarve confessou que está “naturalmente mais vocacionado para estar com as pessoas e no meio delas, do que para estar em gabinetes”. “Tenho pouca tendência para estar fechado no meio de papéis”, afirmou o prelado ontem à tarde em Moncarapacho.

D. Manuel Quintas, – que adiantou já ter visitado todas as paróquias do Algarve, de Alcoutim a Odeceixe, passando pelo menos uma semana em cada lugar –, disse que, como bispo, deve “conhecer as pessoas, a sua vida, a sua realidade concreta, as suas dificuldades, os seus projetos, anseios, desejos e aspirações”.

Destas visitas pastorais, que “são para viver sem pressa, conhecendo melhor a realidade local”, o prelado diz que “aquele que fica mais enriquecido é o Bispo”. “O primeiro a lucrar com estas visitas sou eu. Aprendo sempre com os outros”, constatou.

Na comunidade piscatória da Fuseta, onde foi recebido no passado sábado à tarde na Praça da República, assegurou, por exemplo, que as pessoas do mar lhe ensinam muito, “sobretudo a ser corajoso diante das dificuldades e compreensivo diante das tribulações dos outros”. D. Manuel Quintas lembrou o mar como “fonte de muita vida, mas também de muitas dificuldades”. “As pessoas que trabalham no mar são muito sofridas, marcadas pelo imprevisto, pela luta e, às vezes, pela tristeza e pela morte”, disse.

O Bispo diocesano lembrou, por isso, que da sua missão faz parte também “ser sinal de esperança no meio das dificuldades”. Neste sentido, afirmou que “é possível remar contra a crise”. “Vós, pescadores, quantas vezes tiveram de enfrentar o mar e lutar contra as tempestades. É possível se estivermos unidos, atentos e despertos aos outros. Só fazendo nossos os problemas e as dificuldades dos outros é que podemos superar as tempestades e as crises todas que nos afligem”, disse o prelado, recordando que “o amor traduz-se com gestos e atitudes”.

D. Manuel Quintas lembrou também que a sua “primeira missão” é “confirmar na fé, fortalecer e encorajar aqueles que andam desencorajados”. Por isso, “uma das prioridades de uma visita pastoral é a revitalização da fé”. “É importante que cada um se sinta novamente revitalizado na sua fé pela presença d’Aquele que o bispo representa”, afirmou na Fuseta.

O Bispo do Algarve quis, no entanto, deixar claro que a sua visita é sinal de uma presença mais importante. “A minha presença quer ser a presença da própria pessoa de Cristo. Não é o bispo, é Cristo que está no meio de vós. Cristo veio para salvar, perdoar, curar, dar um sentido novo à vida e ser um sinal de esperança para todos”, elucidou, acrescentando, por isso, que “o verdadeiro pastor é Cristo”.

Por outro lado, destacou que a visita pastoral é uma oportunidade de “crescimento da comunhão com toda a Igreja diocesana porque, onde está o Bispo, está toda a diocese”. D. Manuel Quintas sublinhou ainda que estas iniciativas ajudam a crescer no “conhecimento mútuo e na proximidade” entre Bispo e diocesanos. “O facto de nos reunirmos para rezar juntos já nos aproxima e fortalece mais na fé e ajuda-nos a crescer na comunhão e abertura ao amor de Deus”, frisou, acrescentando em Moncarapacho que “os laços que nos unem como Igreja, não podem ser apenas espirituais”. “Temos também de reforçar os laços humanos”, complementou.

Na Fuseta, o presidente da Junta de Freguesia local, lembrou a origem da comunidade ligada à fé cristã e considerou que a paróquia tem um “papel importante” na vida da comunidade cristã, constituído no “esforço dos laços familiares e pessoais e na formação dos jovens com a participação do pároco e dos catequistas”. “Não podemos esquecer o papel do Apostolado do Mar, realçando a forte relação dos pescadores com a nossa padroeira e no contacto com outras comunidades piscatórias dos mais diversos locais do nosso país”, salientou José Manuel Bernardino.

Também o presidente da Câmara de Olhão destacou a “palavra importante de conforto, alento e incentivo” do Bispo do Algarve na prossecução de uma “sociedade mais justa, mais igualitária, na qual haja cada vez menos desigualdades”. “Estamos ao lado da Igreja católica para conseguirmos em conjunto ultrapassar as dificuldades que enfrentamos”, disse Francisco Leal.

Ao longo da semana que ontem começou, o Bispo do Algarve terá oportunidade de conhecer melhor a realidade da vida quotidiana das populações na visita a instituições de solidariedade social, escolas, associações culturais, clubes, Juntas de Freguesia, para além dos grupos e estruturas das duas paróquias (ver programa).

Esta é a terceira visita pastoral deste ano (2010-2011) de D. Manuel Quintas, depois das visitas já realizadas a Olhão e à Culatra (3 a 10 de outubro), a Sagres, Raposeira e Vila do Bispo (17 a 24 de outubro). O Bispo do Algarve visitará ainda este ano as paróquias de Quelfes e Pechão (20 a 27 de fevereiro), Santa Catarina da Fonte do Bispo (20 a 27 de março) e Loulé (3 a 17 de abril).

Samuel Mendonça

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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