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A celebração da tarde, centrada na adoração da cruz, nas igrejas com os altares desnudadas desde a noite de ontem, é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão eucarística.

Na catedral de Faro, a celebração da Paixão do Senhor iniciou-se esta tarde, como acontece em todo o mundo, em silêncio, com o Bispo da diocese a prostrar-se diante do altar descoberto.

Após a proclamação da Palavra de Deus, particularmente a narração da Paixão de Jesus, D. Manuel Quintas começou por lembrar que “no centro desta celebração está o mistério da cruz”. “A cruz, loucura para os homens, é verdadeira sabedoria para Deus”, observou o bispo do Algarve, lembrando que, à luz da fé, a cruz constitui para os cristãos “sinal da revelação suprema do amor de Cristo” e “início de vida nova”. “É este amor divino que sustenta e dá consistência ao mundo e à humanidade”, acrescentou.

O prelado explicou ainda que “a atitude que deve prevalecer” nesta tarde, é o “silêncio orante e contemplativo”, como meio de interiorização da Palavra de Deus, particularmente da narração da Paixão de Cristo. “Possa este silêncio contemplativo e orante ser expressão de acolhimento do amor até ao extremo que a cruz gloriosa de Cristo, quotidianamente, nos transmite”, exortou.

D. Manuel Quintas, voltando a apoiar-se na reflexão do Papa Bento XVI, no recente segundo volume da trilogia sobre “Jesus de Nazaré”, deteve-se na oração de Cristo na cruz: “Perdoai-lhes Pai, porque não sabem o que fazem”. “A Palavra de Jesus relativa à ignorância deve também hoje inquietar os pretensos sábios e, sobretudo, devemos também nós interrogarmo-nos: por ventura não seremos «cegos», precisamente quando nos consideramos sábios, prescindindo de Deus e uns dos outros?”, interrogou, considerando que “esta oração de Jesus deve mobilizar-nos para desfazermos todas as situações de ignorância na nossa vida que se referem ao conhecimento de Cristo, particularmente ao acolhimento desta lição de amor e de serviço que Ele nos dá no alto da cruz”.

A celebração teve continuidade com a Liturgia da Palavra, constituída por um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa, a grande Oração Universal, com dez intenções que procuram abranger todas as necessidades e todas as realidades da humanidade.

Seguiu-se depois a apresentação e veneração da Cruz realizada por uma fila imensa de fiéis e a comunhão da Eucaristia ontem consagrada.

Samuel Mendonça
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