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O bispo do Algarve lembrou ontem à noite, na missa em que a Igreja celebra simultaneamente a instituição do sacerdócio e da eucaristia, que o “serviço” e o “amor fraterno” são o “ADN” dos cristãos.

Na Missa da Ceia do Senhor, a que presidiu na Sé de Faro, D. Manuel Quintas destacou a interpelação do gesto do lava-pés, realizado por Jesus momentos antes da sua morte, que ontem voltou a repetir. “Gostaria que este gesto pudesse trazer-nos a eloquência e o apelo do essencial de sermos Igreja porque é o serviço que é o nosso distintivo e é o amor fraterno que é a nossa identificação, a nossa identidade e o nosso ADN como discípulos de Jesus”, sustentou, lembrando as palavras de Cristo: “Se eu, que sou vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós vos deveis lavar os pés uns aos outros. Como Eu vos fiz fazei vós também”.

“Nesta eucaristia celebramos realidades essenciais e fundamentais da nossa fé, do nosso ser cristão, do nosso modo de ser Igreja e também do modo como, na nossa vida, devemos testemunhar e viver aquilo que somos”, destacou o prelado, lembrando que os “gestos simples e densos”, como o do lava-pés, “dispensam palavras porque são mais eloquentes do que todas as palavras”. “As palavras, por vezes, têm algumas conotações – senão de quem as diz, de quem as escuta – e nem sempre transmitem a mensagem na sua força e pureza original. Ao passo que os gestos, quando refletem os de Jesus, têm em si a força da mensagem que pretendem transmitir”, sustentou.

O bispo do Algarve lembrou que ao sacerdócio e à eucaristia, “duas realidades que se reclamam mutuamente”, junta-se o “mandamento novo de Jesus”: “Amai-vos como Eu vos amei”. “A novidade deste mandamento não está no amor fraterno, mas no amarmo-nos à maneira de Jesus”, explicou, acrescentando que o gesto do lava-pés “traduz, de maneira que todos entendamos, que o sacerdócio, a eucaristia e o mandamento do amor – para ser autêntico e verdadeiro – devem traduzir-se em gestos concretos, como este”.

Ao falar de gestos, D. Manuel Quintas voltou a evocar o testemunho do Papa Francisco. “É como se já há muito tempo o conhecêssemos, de tal maneira os seus gestos entraram no quotidiano da vida da Igreja e no nosso quotidiano, inclusivamente mesmo no daqueles que não são crentes porque os gestos chegam mais longe do que as palavras”. “Este Papa veio já dizer-nos que o modo de sermos Igreja e discípulos de Cristo tem que passar, necessariamente, por gestos que traduzam o amor e a ternura com que Deus nos ama”, salientou.

A terminar, o bispo diocesano deixou um apelo: “gostaria que o agir de Jesus e estes gestos que realiza quase sem palavras, calassem bem fundo no nosso coração, tendo presente todos os apelos, igualmente com gestos simples e surpreendentes, que o Papa nos traz. O sacerdócio, a eucaristia e o mandamento novo, que convergem para o gesto eloquente que Jesus realizou do lava-pés, querem ser, necessariamente, apelo a muitos outros gestos que somos convidados a fazer na nossa vida, prolongando, ao longo de todo o ano, a realidade, o conteúdo e a densidade que celebramos nesta eucaristia da Ceia do Senhor”.

A Missa Vespertina da Ceia do Senhor introduz na celebração do Tríduo Pascal, considerado o coração do ano litúrgico, o tempo particularmente significativo para toda a Igreja e para cada cristão pela celebração dos mistérios fundamentais da sua fé: a instituição da eucaristia e do sacerdócio, a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Como é hábito, no final da celebração o Santíssimo Sacramento foi levado em procissão e colocado em lugar de destaque no interior da catedral para veneração e adoração dos fiéis por só se voltar a celebrar a Eucaristia na Vigília Pascal de Sábado Santo.

No dia de hoje, Sexta-feira Santa, aliturgico por ser o único do ano em que a Igreja não celebra a Eucaristia mas a paixão e morte de Jesus Cristo, imperam o silêncio, o jejum e a oração.

A celebração da tarde, centrada na adoração da cruz, nas igrejas com os altares desnudadas desde a noite de ontem, é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão eucarística.

À noite será realizada a Procissão do Enterro do Senhor. Em Faro, a mais significativa do Algarve, decorrerá pelas 21h, presidida pelo bispo do Algarve, a partir da igreja da Misericórdia, percorrendo as principais ruas da baixa da capital algarvia.

Samuel Mendonça

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